Insolvências em Portugal sobem 2,7% até maio e microempresas concentram dois em cada três processos

De acordo com um estudo da Allianz Trade, Serviços e Construção lideram aumento de insolvências em Portugal nos cinco primeiros meses de 2026.
Insolvências em Portugal sobem 2,7% até maio e microempresas concentram dois em cada três processos
Bruno Simões Castanheira / Global Imagens
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Nos primeiros cinco meses de 2026 Portugal registou 955 processos de insolvência, um aumento homólogo de 2,7% face aos 930 casos no mesmo período de 2025, segundo a Allianz Trade.

Os dados mostram uma evolução heterogénea ao longo dos meses, sem indícios de uma deterioração generalizada do tecido empresarial, mas que exige vigilância, sublinha a seguradora do Grupo Allianz.

A variação mensal foi desigual, uma vez que fevereiro teve uma queda significativa de 16,3%, já março e abril apresentaram acelerações pronunciadas (+22,2% e +21,0%, respetivamente), enquanto maio voltou a registar uma redução homóloga de 9,5%.

Esta alternância aponta para choques e ajustes pontuais, não para um padrão único de agravamento, realça a Allianz Trade.

Por dimensão, as microempresas continuam a dominar o número total de insolvências, representando cerca de 66% dos processos. As pequenas empresas diminuíram insolvências em 8,4%, enquanto as médias aumentaram 32,4%, ainda que compondo uma fatia pequena do total.

Quanto à antiguidade, mais de metade dos processos recaiu sobre empresas com mais de dez anos de atividade, mas sobressai o aumento de 26,1% nas insolvências de empresas com 2 a 5 anos — um sinal de fragilidade durante a fase de consolidação, destaca o estudo da Allianz Trade.

Setorialmente, Serviços e Construção registaram os maiores aumentos, com subidas homólogas de 14,8% e 9,7% respetivamente, refletindo a sensibilidade destas atividades aos custos operacionais e às condições de financiamento. Em contraste, o Retalho caiu 16,8%; Agroalimentar e Têxteis recuaram 5,4% e 0,9%, coloca em evidência o mesmo estudo.

Geograficamente, Lisboa e Porto concentraram cerca de 44% dos processos, sendo que a capital do país aumentou 7,5% face a 2025, enquanto o Porto diminuiu 8,9%. Entre os distritos com subidas acima da média nacional destacam-se Setúbal (+32,6%), Viseu (+16,7%), Braga (+12,2%) e Leiria (+8,3%). Por outro lado, Coimbra (-40,6%), Santarém (-38,2%) e Castelo Branco (-31,6%) registaram reduções significativas.

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