

A Microsoft revelou na conferência Build a sua mais recente família de modelos de inteligência artificial (IA), incluindo o MAI‑Thinking‑1, descrito como o primeiro modelo de “raciocínio” do grupo, capaz de decompor problemas passo a passo antes de entregar uma solução.
A apresentação, feita esta terça‑feira em São Francisco, marca um esforço visível da empresa para reduzir a sua dependência da OpenAI e afirmar modelos construídos internamente.
“É importante que sejamos autossuficientes”, afirmou Sophie Lebrecht, investigadora de IA da Microsoft.
O MAI‑Thinking‑1 foi desenvolvido “de raiz”, sem recorrer à prática comum de destilar modelos externos, disse Lebrecht, visando bases limpas e comercialmente sólidas.
Além deste modelo, a equipa liderada por Mustafa Suleyman apresentou outras soluções originais para geração de imagens, transcrição, vozes sintéticas e programação, no que a Microsoft classifica como uma aposta ampla em capacidades internas de IA.
De salientar que a empresa detém atualmente uma licença limitada da tecnologia da OpenAI até 2032.
A Microsoft revelou também inovações de hardware e software para esta nova fase: o Surface RTX Spark Dev Box, um mini‑PC com chip Nvidia capaz de correr modelos de IA offline; uma plataforma dedicada à investigação científica; e o chip quântico Majorana 2.
Em paralelo, destacou a aposta em agentes de IA “sempre ativos” com o lançamento do Microsoft Scout, projetado para preparar reuniões, gerir calendários e escrever e‑mails mesmo quando o computador está desligado — uma evolução da longa história da empresa na construção de assistentes digitais.
Para complementar a experiência, a Microsoft mostrou protótipos de dispositivos Android concebidos para interação por voz com agentes de IA, incluindo um altifalante de secretária com ecrã e reconhecimento facial e um crachá desenvolvido com a Qualcomm para conversas diretas com o agente.
O CEO Satya Nadella sublinhou a estratégia de construir um ecossistema centrado nas empresas, contrapondo‑a a modelos que “simplesmente têm sede de todos os dados”.