Lucro da Galp aumenta 68% para 682 milhões no 3.º trimestre
A Galp aumentou o lucro em 68% no terceiro trimestre, para 682 milhões de euros, impulsionada pelo crescimento da produção no Brasil, pelas exportações de produtos refinados e pela compra e venda de petróleo e gás nos mercados internacionais.
Nos primeiros nove meses do ano, o resultado líquido ajustado a custo de substituição (RCA) ascendeu a 1,49 mil milhões de euros, mais 54% do que no período homólogo de 2025, anunciou esta segunda-feira a empresa em comunicado.
Em sentido contrário, o resultado líquido apurado de acordo com as normas internacionais de contabilidade (IFRS) caiu 24% no terceiro trimestre, para 201 milhões de euros, e 9% nos primeiros nove meses, para 852 milhões de euros.
O resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), ajustado a custo de substituição, aumentou 67% no terceiro trimestre, para 1.522 milhões de euros. No acumulado dos primeiros nove meses, subiu 54%, para 3.737 milhões de euros.
A produção de petróleo no Brasil atingiu um novo máximo de 131 mil barris por dia, beneficiando do aumento progressivo da produção no campo de Bacalhau.
A evolução da produção foi acompanhada pela subida do preço médio do petróleo Brent, referência para a Europa, que passou de 70,9 dólares por barril nos primeiros nove meses de 2025 para 93,9 dólares no mesmo período deste ano.
A atividade de exploração e produção de petróleo e gás gerou um EBITDA de cerca de 2.000 milhões de euros nos primeiros nove meses, mais 67% do que no período homólogo, representando mais de metade do total do grupo.
A área Industrial & Midstream, que inclui a refinação, a comercialização de petróleo, gás e eletricidade nos mercados internacionais e as exportações de produtos refinados, registou um EBITDA de 1.300 milhões de euros, um aumento homólogo de 52%.
No conjunto, as atividades com origem nos mercados internacionais representaram 91% do EBITDA da Galp nos primeiros nove meses do ano. O contributo das exportações mais do que triplicou, para 640 milhões de euros.
A empresa beneficiou também da melhoria das margens internacionais de refinação, que atingiram 22,1 dólares por barril nos primeiros nove meses e 34 dólares no terceiro trimestre. Segundo a Galp, a refinaria de Sines operou perto da capacidade máxima durante o trimestre.
As operações de compra e venda de petróleo e gás nos mercados internacionais permitiram à empresa responder às perturbações nos mercados globais. Durante o terceiro trimestre, a Galp assegurou também as necessidades de importação de combustível de aviação de Portugal até ao final de 2026, reforçando o seu contributo para a segurança do abastecimento energético nacional.
Na área Comercial, o EBITDA aumentou 22% em termos homólogos, para 344 milhões de euros nos primeiros nove meses, beneficiando sobretudo da recuperação das vendas de produtos petrolíferos, gás natural e eletricidade a empresas na Península Ibérica. O aumento das vendas de combustíveis a clientes empresariais, sobretudo em Espanha, compensou a redução do consumo dos particulares em Portugal e em África.
O negócio das energias renováveis registou igualmente uma evolução positiva, com o EBITDA a aumentar 67%, para 57 milhões de euros.
O investimento total da empresa atingiu 1.340 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 87% do que no período homólogo, impulsionado sobretudo pela aquisição dos ativos eólicos em Espanha, num investimento conjunto de 738 milhões de euros.
Do investimento total, 960 milhões de euros foram destinados a projetos de descarbonização, incluindo iniciativas de baixo carbono na refinaria de Sines. Cerca de 1.100 milhões de euros foram investidos na Península Ibérica.
Na atividade de exploração e produção, o investimento ascendeu a 277 milhões de euros, destinados sobretudo ao desenvolvimento do campo de Bacalhau, no Brasil.
A co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, afirmou que os resultados “são o reflexo de uma estratégia de crescimento sustentada, da coragem para investir em momentos decisivos, da qualidade dos ativos que desenvolvemos e da disciplina com que as nossas equipas executam projetos complexos ao longo de vários anos”.
“Os resultados da Galp são construídos ao longo de anos, não de trimestres. Embora beneficiemos atualmente das condições de mercado em alguns segmentos, os indicadores refletem essencialmente opções estruturais de crescimento e transformação que a Galp tem vindo a executar de forma disciplinada ao longo de décadas”, acrescentou, citada no mesmo comunicado.
Galp e Moeve terminam negociações para juntar negócios de refinação e comercialização
A Galp anunciou ainda o fim das negociações com a Moeve para uma possível combinação dos negócios de refinação e comercialização de combustíveis, por não ter sido alcançado um acordo entre as partes.
Em comunicado, a petrolífera portuguesa explicou que, na sequência do acordo não vinculativo anunciado em 08 de janeiro com os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o grupo Carlyle, as partes mantiveram negociações aprofundadas, mas não conseguiram alcançar um entendimento para concretizar a operação.
A Galp garantiu ainda que o fim das negociações não terá impacto nas suas operações atuais “nem na confiança da empresa no potencial de criação de valor autónomo do seu portefólio de downstream”, os negócios de refinação e comercialização, mantendo o compromisso com a transformação das atividades industriais e comerciais e a abertura a futuras oportunidades de consolidação do setor.
A presidente do conselho de administração da Galp, Paula Amorim, citada no comunicado, lamentou a falta de entendimento entre as partes, considerando que a operação representava uma oportunidade para criar um grande operador europeu de refinação e comercialização.
“Embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo”, afirmou, citada no comunicado.
Ainda assim, a responsável destacou a posição financeira da Galp e as perspetivas de crescimento da atividade de exploração e produção de petróleo e gás, assegurando que a empresa continuará a privilegiar investimentos que permitam criar valor a longo prazo.
“A disciplina na alocação de capital e a criação de valor a longo prazo continuarão a orientar as nossas decisões”, sublinhou Paula Amorim, acrescentando que a empresa continua a acreditar nas vantagens da consolidação dos negócios de refinação e comercialização e das parcerias estratégicas.
Em julho, a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, tinha admitido, em declarações à Lusa, que a conclusão das negociações poderia ocorrer no quarto trimestre deste ano, embora a empresa pretendesse fechar a operação o mais rapidamente possível, atribuindo o atraso à dimensão e complexidade da operação.
O projeto previa a combinação dos negócios de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis das duas empresas na Península Ibérica, incluindo a refinaria da Galp em Sines e as unidades da Moeve em Huelva e Cádis, em Espanha.
A operação tinha também suscitado preocupações por parte do Governo português, com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a afirmar, no início de julho, que o executivo estava a estudar instrumentos legais para garantir que a refinaria de Sines permanecia em Portugal e assegurava o abastecimento prioritário do país em situações de crise.
A Moeve (antiga Cepsa) tem como acionistas a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group.
Apesar do fim das negociações, a Galp reiterou a confiança nos seus negócios de refinação e comercialização, destacando a rede de postos de abastecimento em Portugal e os projetos de transição energética em Sines, incluindo a produção de hidrogénio verde e de biocombustíveis avançados.
A empresa assegurou ainda que mantém inalteradas as suas prioridades de investimento e que continuará a procurar “oportunidades de criação de valor adicional através de modelos de investimento mais eficientes na utilização de capital”, conclui.

