

A Navigator obteve um resultado líquido de 49 milhões de euros no primeiro semestre do ano, tratando-se de uma redução de 69,1% face aos 158,8 milhões registados em igual período de 2024 e uma diminuição de 42,4% relativamente aos 85 milhões de euros reportados no nos primeiros seis meses do ano passado.
Ainda de janeiro a junho deste ano, o volume de negócios ascendeu a 869 milhões de euros e o EBITDA situou‑se em 143 milhões de euros, informou a papeleira em comunicado.
No que diz respeito ao segundo trimestre, a empresa reportou um volume de negócios de 442 milhões e um EBITDA de 79 milhões de euros, que correspondem a uma margem EBITDA de 18,0% no trimestre — um acréscimo de 2,6 pontos percentuais relativamente ao período homólogo.
O resultado líquido do 2.º trimestre foi de 32 milhões de euros, valor que a companhia assinalou como um aumento homólogo de 85%.
Relativamente ao negócio de pasta, as vendas semestrais totalizaram 111 mil toneladas.
O negócio de Tissue, "continua a afirmar-se como um eixo estratégico de crescimento e diversificação internacional, correspondendo já a cerca de um quarto do volume de negócios", salienta a empresa.
As vendas fora do país neste segmento representaram 80% do volume total no 1.º semestre de 2026 (contra os 54% registados em 2022, ou seja, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK). Neste capítulo, as vendas são lideradas pelo mercado espanhol, com 32% do valor total, seguido do inglês, com 31%, e do francês, com peso de 15%.
Já o segmento de Packaging registou vendas de 53 milhões de euros no semestre, com cerca de 70% da faturação direcionada ao mercado europeu, "sendo os restantes 30% assegurados por mercados externos, nomeadamente Américas e região MENA (Médio Oriente e Norte de África)".
Os preços médios nesta área de negócio também acabaram por crescer, sendo que os preços médios de junho superaram em 13% os preços médios verificados em dezembro de 2025, "permitindo compensar o forte agravamento de custos".
A empresa também comunicou crescimento de volumes e de preços em setores específicos, nomeadamente em papeis de impressão e escrita (UWF) e em embalagens, que contribuíram para o desempenho operacional do semestre. A utilização das capacidades produtivas aproximou‑se dos 90% no período reportado.
No que respeita a investimentos, o capex no 1.º semestre de 2026 foi de 127 milhões de euros, dos quais aproximadamente 72 milhões de euros foram classificados como investimentos com componente ESG (ambiental, social e de governação).
Entre os projetos destacados encontra‑se a intervenção de deslenhificação por oxigénio no Complexo de Setúbal, cujo investimento supera os 40 milhões de euros, objetivo que a empresa descreve como direcionado para a redução da intensidade carbónica e para a melhoria da eficiência térmica das instalações.
Ainda de acordo com o comunicado, a posição financeira a 30 de junho de 2026 mostrou um endividamento líquido de 693,2 milhões de euros. A Navigator dispunha de linhas de financiamento de longo prazo não utilizadas que totalizavam 363 milhões de euros. Do total da dívida, 95% foi classificada como sustentável e cerca de 60% da exposição encontrava‑se a taxa fixa ou coberta, informação que a empresa apresentou como forma de evidenciar menor sensibilidade a variações das taxas de juro.
No plano operativo, a administração anunciou um programa de redução de custos variáveis com uma poupança estimada em cerca de 28 milhões de euros anuais a partir de 2027. As medidas previstas incluem otimização de compras, eficiência energética e revisão de processos operativos. A empresa refere ainda que parte dos ganhos esperados decorrentes do plano de capex em sustentabilidade deverá materializar‑se em menores consumos energéticos e custos operacionais ao longo dos próximos anos.
A comunicação dos resultados inclui também referências às dinâmicas de preços e custos: os aumentos tarifários em segmentos-chave e a recuperação dos preços da pasta foram mencionados como fatores que contribuíram para a melhoria das margens no segundo trimestre, enquanto os custos de energia, matérias‑primas e logística foram apontados como elementos que continuam a exercer pressão sobre a rentabilidade.