

A plataforma audiovisual Netflix anunciou um lucro de 3,4 mil milhões de dólares (cerca de três mil milhões de euros) no segundo trimestre, mais 8,8% face ao período homólogo de 2025.
Num comunicado à imprensa na quinta-feira, a empresa que garante serviço de vídeo ‘streaming’ por subscrição adiantou que o aumento do lucro foi impulsionado pelo crescimento da base de assinantes e dos preços, bem como pela subida da receita publicitária.
As receitas no segundo trimestre de 2026 ascenderam a 12,56 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros), mais 13,36% face a período homólogo.
A Netflix alcançou um crescimento de receita de dois dígitos em todas as regiões, superando “a marca de quatro mil milhões de dólares em receita trimestral na Europa, no Médio Oriente e em África e de 1.500 milhões na América Latina e na região da Ásia-Pacífico”, acrescentou a empresa.
No primeiro semestre, o lucro acumulado da empresa sediada em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia, foi de 8,7 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros), uma subida de 44,37% face ao primeiro semestre de 2025, e a receita semestral de 24,81 mil milhões de dólares (21,7 mil milhões de euros), mais 14,75%.
Nos primeiros seis meses do ano, os assinantes da plataforma acumularam mais de 97 mil milhões de horas de visualização, mais 2% face ao ano anterior.
Os dados da Netflix sugerem que o ritmo de consumo acelerou, apesar da concorrência pela atenção do público com grandes eventos desportivos, nomeadamente os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina (Itália), e o Mundial2026 de futebol.
“Conteúdos em idiomas diferentes do inglês representaram, mais uma vez, mais de um terço do total de visualizações neste semestre, com destaque para os títulos da Coreia do Sul, do Japão, de Espanha e da Índia”, acrescentou a empresa.
Para o próximo trimestre, a empresa de entretenimento prevê um aumento de receita de 12%, através do crescimento expressivo no número de assinantes, nos preços e na receita publicitária.
Netflix revela ter usado IA em 300 produções este ano
A Netflix revelou ter usado inteligência artificial (IA) em cerca de 300 projetos este ano, sobretudo em trabalhos de pós-produção, revelou a plataforma audiovisual numa carta enviada aos investidores, após divulgar os resultados do segundo trimestre.
A empresa admitiu que o uso da IA generativa está a “crescer rapidamente” entre os parceiros criativos, abrangendo todo o ciclo de produção, da conceção e pré-visualização até à pós-produção e entrega.
“Recorremos cada vez mais a estas ferramentas porque permitem obter resultados de maior qualidade, em menos tempo e a um custo inferior ao dos métodos tradicionais. Em alguns casos, sem a IA generativa teria sido impossível incluir determinadas cenas e sequências-chave”, sublinhou.
Segundo a Netflix, exemplos disso são a produção brasileira 'Brasil 70: A Saga do Tri', a indiana 'Glory' e a norte-americana 'The American Experiment', que usaram a tecnologia para criar sequências complexas, como a ampliação digital de multidões, recriações de batalhas históricas e planos gerais destinados a construir universos visuais.
No seu ‘site’, a empresa considera que estas ferramentas são uma ajuda valiosa quando usadas de forma transparente e responsável.
“Para apoiar produções à escala mundial e manter-nos alinhados com as melhores práticas, esperamos que todos os nossos parceiros informem a Netflix sobre qualquer uso previsto da IA generativa, sobretudo à medida que surgem novas ferramentas com diferentes capacidades e riscos”, acrescentou.