Lucro do BPI cai 7% para 363 milhões de euros
O BPI registou um resultado líquido de 363 milhões de euros até setembro, o que representa uma contração homóloga de 7%. Em comunicado, o banco esclareceu que o balanço foi condicionado por dois fatores extraordinários: a ausência do impacto positivo de 18 milhões de euros verificado no ano anterior (decorrente da reversão do adicional de solidariedade) e o encargo contabilístico negativo de 35 milhões de euros associado à reclassificação da sua posição financeira no moçambicano BCI.
A operação em território nacional assegurou 344 milhões de euros para o resultado global do grupo até setembro, assinalando uma contração homóloga de 5%. A instituição financeira ressalva, contudo, que ao expurgar o impacto extraordinário da devolução fiscal ocorrida no ano anterior, o lucro recorrente manteve-se linear. Esta solidez comercial permitiu ao banco apurar uma rendibilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) de 14,9%.
A vertente internacional, suportada pelas posições financeiras no BFA (Angola) e no BCI (Moçambique), aportou 20 milhões de euros para o balanço consolidado. Este montante já absorve a penalização contabilística decorrente da reavaliação da operação moçambicana, sendo que ambas as participações bancárias estão classificadas como ativos disponíveis para alienação.
A evolução do desempenho financeiro foi impulsionada de forma determinante pelo comportamento das receitas operacionais, com a margem financeira a crescer 1%, para 665 milhões de euros, e as comissões a subirem 8%, atingindo os 244 milhões de euros.
O presidente executivo (CEO) do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, esclareceu que o desempenho da margem foi sustentado pela expansão do volume de negócios e pelo impacto da subida das taxas de juro de mercado. No que diz respeito às comissões, o gestor sublinhou que a instituição não aplicou qualquer alteração ao seu preçário, pelo que a progressão das receitas decorre exclusivamente do aumento do fluxo de transações efetuadas pelos clientes.
No que toca às despesas operacionais, a instituição financeira controlada pelos espanhóis do CaixaBank contabilizou um acréscimo de 5%, elevando os encargos para uma fasquia que ultrapassa os 400 milhões de euros. Este agravamento foi impulsionado essencialmente pela subida dos gastos com recursos humanos.
A demonstrar esta dinâmica, o BPI expandiu os seus quadros de pessoal com a contratação de 220 novos colaboradores ao longo do último ano. O presidente executivo, João Pedro Oliveira e Costa, justificou este reforço ao sublinhar a necessidade de atrair perfis profissionais com qualificações mais elevadas, com especial foco "nas áreas da tecnologia e Inteligência Artificial".
*Em atualização

