Lucros da Repsol disparam 325% para mais de cinco mil milhões de euros

O resultado dos primeiros nove meses do ano foi impulsionado pela subida dos preços do petróleo bruto e dos derivados, que valorizou significativamente os stocks armazenados pela petrolífera.
Lucros da Repsol disparam 325% para mais de cinco mil milhões de euros
Publicado a: 

Os lucros da Repsol dispararam 325% nos primeiros nove meses do ano, atingindo os cinco mil milhões de euros.

De acordo com o comunicado enviado esta quinta-feira (29 de outubro) à Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a forte progressão dos resultados líquidos foi impulsionada pela valorização dos inventários de petróleo bruto e produtos derivados em armazenamento, face à escalada de preços nos mercados internacionais.

Excluindo os efeitos extraordinários e a volatilidade dos stocks, o resultado líquido ajustado da energética espanhola fixou-se nos 5,4 mil milhões de euros até setembro. O indicador representa um crescimento homólogo de 184,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No relatório financeiro, a multinacional esclarece que o resultado líquido apurado até setembro contabiliza um impacto patrimonial positivo de 943 milhões de euros, uma evolução que contrasta com o prejuízo de 478 milhões de euros verificado no período homólogo anterior devido a este mesmo efeito.

Perante uma conjuntura internacional adversa e instável, muito penalizada pelas guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, a Repsol canalizou aproximadamente 3,7 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026 para reforçar as suas reservas estratégicas e assegurar a estabilidade do fornecimento de energia.

Em paralelo, a companhia alocou aproximadamente 100 milhões de euros para financiar campanhas de descontos suplementares destinadas aos consumidores na sua rede de postos de abastecimento.

No que respeita à performance segmentada das suas operações, o negócio de exploração e produção (upstream) registou um resultado líquido ajustado de 1,1 mil milhões de euros até setembro. O indicador representa uma progressão de 28,6% face ao desempenho alcançado nos primeiros nove meses do ano transato.

Por sua vez, o resultado líquido ajustado da divisão industrial alcançou os 3,7 mil milhões de euros, alavancado pela subida das margens de refinação. O desempenho contrasta fortemente com os 540 milhões de euros contabilizados no período homólogo, altura em que as contas foram penalizadas por quebras no abastecimento elétrico.

Já a área de clientes, que assegura 11% do resultado líquido ajustado global, apresentou um crescimento homólogo de 4,6%, fixando-se nos 613 milhões de euros. No segmento da transição energética, a divisão de geração de baixo carbono gerou um resultado líquido ajustado de 43 milhões de euros, correspondendo a um disparo de 23% face ao ano anterior.

No plano operacional, a divisão de exploração e produção (upstream) atingiu uma extração média diária de 557 mil barris equivalentes de petróleo no acumulado até setembro.

A Repsol detalhou ainda que a sua estratégia na Venezuela permanece focada em impulsionar o volume de extração local e em rentabilizar a produção da companhia na região. A energética assinalou progressos significativos nos projetos de Petroquiriquire, Petrocarabobo e Cardón IV ao longo do presente ano.

A multinacional adiantou também que converteu em receita três carregamentos de crude oriundos da Venezuela, recebidos como compensação pelo gás produzido, estando prevista a receção de mais duas cargas até ao encerramento do ano.

No que respeita à política de retorno ao investidor, a Repsol prevê canalizar entre 30% e 40% do seu fluxo de caixa operacional para a remuneração dos acionistas até 2028, através da distribuição de dividendos e de programas de recompra de ações próprias.

Neste contexto, a energética deu início a um terceiro programa de recompra de ações próprias, que envolve um investimento líquido máximo de 950 milhões de euros e cuja conclusão está programada para antes do encerramento do ano corrente.

Esta medida surge imediatamente após o encerramento da segunda vaga de recompra de títulos da empresa, uma operação avaliada em 500 milhões de euros que ficou totalmente concluída na passada segunda-feira.

No que respeita à distribuição de rendimentos aos investidores, a remuneração por ação em numerário fixou-se nos 1,051 euros brutos por título em 2026. O montante representa uma valorização de cerca de 8% face ao valor pago no ano anterior.

O calendário de pagamentos dividiu-se em dois momentos: uma primeira tranche de 0,50 euros brutos por ação liquidada em janeiro, seguida da distribuição de uma segunda parcela de 0,551 euros brutos por título efetuada no mês de julho.

A multinacional tem igualmente agendada a distribuição de um novo dividendo no valor de 0,56 euros por ação, com o pagamento previsto para janeiro de 2027.

No que respeita ao impacto público do seu negócio, o grupo gerou uma contribuição fiscal global de 10,5 mil milhões de euros no acumulado do ano. Deste montante total, a vasta maioria (72%) foi liquidada em território espanhol, somando cerca de 7,5 mil milhões de euros em impostos entregues ao Estado vizinho.

Lucros da Repsol disparam 325% para mais de cinco mil milhões de euros
Lucros da Repsol dispararam 265% para 2,2 mil milhões de euros até junho
Diário de Notícias
www.dn.pt