

O Abanca Portugal registou um resultado antes de impostos de 99 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. De acordo com o comunicado hoje divulgado pela instituição financeira, o montante traduz um crescimento de 19,5% em comparação com o período homólogo anterior.
A entidade bancária sublinhou que a progressão dos lucros foi alinhada com um aumento da eficiência, suportado por uma redução homóloga de 8,3% nos custos operacionais. Em paralelo, a atividade comercial do banco no mercado português permitiu a captação de 19 mil novos clientes ao longo do período em análise.
O volume de negócios da instituição alcançou os 21,3 mil milhões de euros no encerramento de setembro, assinalando uma progressão homóloga de 4%. No segmento do financiamento, o stock de crédito líquido concedido a clientes registou um incremento de 4,3%, fixando-se nos nove milhões de euros. Por sua vez, os recursos fora de balanço evidenciaram uma forte solidez comercial ao dispararem 24,2%, totalizando 3,2 mil milhões.
O banco realçou igualmente o desempenho dos fundos de investimento, cuja carteira escalou para os 2.422 milhões de euros.
No que toca à qualidade dos ativos, os indicadores de risco registaram uma melhoria significativa: a taxa de crédito malparado (NPL) recuou para 2,1% — o que representa uma contração de 29 pontos base face a setembro de 2025. Em simultâneo, o nível de provisões fixou o rácio de cobertura do crédito em incumprimento nos 86,6%.
Lucro global do grupo recua 13,6% para 579 milhões de euros
No plano global, o grupo bancário espanhol encerrou os primeiros nove meses do ano com um lucro líquido de 579,1 milhões de euros, montante que traduz uma contração homóloga de 13,6%.
A quebra no resultado líquido deveu-se essencialmente a um agravamento da taxa efetiva de imposto, motivado pela menor utilização de créditos fiscais no período. Excluindo o impacto fiscal, o resultado operacional teria registado uma trajetória de crescimento de 2,4%, elevando-se para os 764,5 milhões de euros.
A instituição financeira liderada por Juan Carlos Escotet sublinhou ainda a solidez dos seus indicadores de rendibilidade no fecho de setembro. O retorno sobre o capital tangível (ROTE) fixou-se nos 12,2%, ao passo que a rentabilidade sobre o rácio de capital comum tier 1 (CET1) alcançou os 14,8%, assegurando uma margem confortável face ao custo de capital do grupo.
Desde o início do ano, o banco de origem galega somou mais de 116 mil novos clientes nos mercados ibéricos, sendo que a vasta maioria (cerca de 70%) foi registada fora do seu território de origem. Esta dinâmica comercial, aliada à progressão geral da atividade, impulsionou o volume de negócios global do grupo em 6,4%, atingindo os 142,9 mil milhões de euros.
No segmento do financiamento, o banco injetou perto de 14 mil milhões de euros na economia para apoiar famílias e empresas, com a concessão de novas operações a crescer 8,3% no crédito a particulares e 5,6% no crédito corporativo. Paralelamente, os recursos totais de clientes expandiram 5,5%, impulsionados quer pela captação de depósitos tradicionais quer pelos produtos fora de balanço. O banco assinalou ainda um forte desempenho na fidelização, com as novas domiciliações de ordenados a dispararem 11,3%.
Ao longo do terceiro trimestre, a entidade bancária manteve o foco na sua modernização tecnológica através da integração em larga escala de soluções de Inteligência Artificial (IA). Esta estratégia digital, segundo o Abanca, assenta na centralidade no cliente, na proteção ciberespacial e na otimização da eficiência dos serviços. De acordo com o banco, os 250 casos de aplicação prática de IA já ativos na reestruturação interna possibilitam customizar os produtos financeiros e gerar uma redução de tempos de resposta, resultando numa melhoria direta na qualidade do atendimento.