

A Mango sobreviveu (e aparentemente bem) à morte do seu fundador, Isak Andic, após uma queda de uma ravina em Montserrat, Barcelona, em dezembro de 2024. Apesar de continuarem as diligências judiciais para esclarecer o sucedido, tendo sido constituído arguido o filho mais velho, Jonathan Andic, que acompanhava o pai na ocasião, a empresa espanhola afirmou a sua posição como marca de moda internacional. No ano passado, a Mango registou uma faturação global de 3767 milhões de euros, um crescimento de 13% face ao exercício de 2024, revelou esta quinta-feira, 5 de março, Toni Ruiz, presidente e CEO da companhia, em conferência de imprensa. Os lucros atingiram os 242 milhões, um aumento de 11%. São resultados que asseguram "intacto o legado do fundador", disse. E sobre esta questão sombria não quis fazer mais comentários, quando questionado pelo DN/DV. Tony Ruiz limitou-se a afirmar que o processo judicial segue o seu curso.
"No primeiro ano sem o fundador", a Mango galgou várias etapas. Como afirmou Toni Ruiz, apresentou um "sólido crescimento", realizou "o maior investimento da sua história" e consolidou a sua posição como "referência da moda internacional". Na sua opinião, "a Mango atravessa o momento mais sólido da sua história". A empresa, que gerou um EBITDA de 722 milhões de euros, um aumento de 13% face a 2024, aplicou ao longo do ano 225 milhões de euros no reforço da sua operação. Como explicou o CEO, a aposta centrou-se na abertura de pontos de venda e reformulação de algumas unidades, mas também em tecnologia, logística e sustentabilidade.
A Mango abriu 260 lojas durante o último exercício e modernizou 86, respondendo, no fim de dezembro, por um parque de 2931 espaços (perto de 900 mil metros quadrados), um aumento de 5% quando comparado com 2024. "Quando outros estão a apostar no fecho de lojas, nós apostamos em aberturas", frisou Toni Ruiz, sublinhando que a estratégia da empresa mantém-se assente na proximidade com o cliente. A linha Mulher foi o grande motor de crescimento da Mango, com um peso de 79% no volume de negócios global. Já os segmentos Homem, Criança, Teen (adolescentes) e Casa (Mango Home) apresentaram um aumento de 21% nas receitas, acima da média do setor.
Os resultados de 2025 foram muito alavancados pelo comportamento positivo dos 120 mercados onde a marca de moda espanhola tem presença, que representaram 78% das receitas globais. Os países com mais peso nas vendas foram, mais uma vez, Espanha, França, Turquia, Alemanha e Estados Unidos da América. Numa segunda esfera, destacam-se Itália, Reino Unido e Portugal. No nosso país, a empresa garantiu um crescimento de 15% na faturação, tendo encerrado o exercício de 2025 com mais de 50 lojas, que representam cerca de 23 mil metros quadrados.
Num contexto de elevada instabilidade geopolítica, a Mango determinou que 2026 será o exercício onde irá alcançar a meta dos 4000 milhões de euros de volume de negócios. Como afirmou Tony Ruiz, "há muito tempo que enfrentamos incertezas" nos mercados mundiais, mas a empresa tem demonstrado "capacidade de adaptação". Segundo o gestor, "somos rápidos, temos mecanismos, temos pessoas e bom conhecimento do que se vai passando", ou seja "flexibilidade e resiliência". O atual conflito do Médio Oriente está, naturalmente, a impactar as lojas nesses países, mas a cadeia de fornecimento está para já salvaguardada, devido à sua elevada diversificação territorial. Como referiu, a Mango tem mais de 2700 fábricas no mundo a trabalhar para o grupo.
Sem grandes pormenores, Daniel López, responsável pelo departamento de expansão e franchising, adiantou que a Mango irá continuar a abrir lojas este ano. O foco é agora o crescimento das linhas Teen e Home. No ano passado, já tinha levado o conceito de vestuário para adolescentes para Portugal, França e Reino Unido, depois da estreia no mercado espanhol. Já os pontos de venda dedicados à casa, a Mango vai de momento explorar a novidade apenas em Espanha, onde já tem quatro unidades. Em Portugal, a aposta continuará muito centrada em pontos de venda com oferta Mulher, Homem e Criança. Este ano, prevê abrir três novas unidades em território nacional, num total de 1600 metros quadrados.
A jornalista viajou a Barcelona a convite da Mango.