

Um estudo da Bain & Company, divulgado esta segunda-feira, revela que as grandes marcas de bens de consumo estão a enfrentar uma crescente concorrência de marcas próprias, empresas emergentes e marcas locais. Esta mudança poderá redefinir o setor na próxima década.
As marcas próprias já detêm mais de 35% da quota de mercado em vários países europeus. Nos Estados Unidos, as marcas emergentes são responsáveis por quase 40% do crescimento do setor, apesar de representarem menos de 2% do mercado. Na região da Ásia-Pacífico, o cenário é ainda mais significativo, com as marcas locais a contabilizarem quase 80% do crescimento, indicando uma mudança estrutural no setor.
De acordo com a consultora, as empresas que souberem aproveitar o crescimento dos novos canais e diferenciar suas marcas face às marcas próprias poderão ver suas receitas aumentarem cerca de 15% nos próximos cinco anos, em comparação com concorrentes que não se adaptarem.
João Valadares, sócio da Bain & Company, salienta que esta evolução "não é um ciclo conjuntural", mas sim "uma mudança estrutural". Acrescenta ainda que até 20% das receitas das grandes empresas provêm de marcas sem potencial de recuperação, e até 30% são de marcas que perderam relevância, mas ainda podem ser revitalizadas. "Num contexto de crescimento limitado, manter o status quo não é uma opção neutra: é uma forma de ceder terreno”, finaliza.
A transformação do setor terá um impacto significativo na indústria alimentar e de bebidas nos Estados Unidos, com mais de 100 mil milhões de dólares em lucros em jogo ao longo da próxima década. A capacidade de transformar o investimento tecnológico em vantagem competitiva será crucial, permitindo que as empresas melhorem suas operações e respondam às mudanças no comportamento do consumidor.
O Papel das Fusões e Aquisições
As fusões e aquisições (M&A) também devem ser uma estratégia importante para as empresas, possibilitando a entrada em novos mercados e acelerando o crescimento. A Bain & Company aponta que as empresas mais ativas em M&A apresentam um retorno total para os acionistas 25% superior à média do setor. Contudo, a consultora alerta que o sucesso dessas operações depende da preservação da identidade e agilidade das marcas adquiridas. A eliminação do “fator mágico” de uma marca pode resultar na perda do valor que justificou a aquisição.
Para as grandes empresas de bens de consumo, esta transformação representa tanto uma ameaça quanto uma oportunidade. A capacidade de revitalizar marcas, adaptar-se aos novos canais, investir em tecnologia e realizar aquisições estratégicas será determinante para as empresas que desejam ganhar quota de mercado em um cenário cada vez mais fragmentado, diz a consultora.