Mau tempo: Fileira do pinho fortemente afetada por escassez de madeira

A fileira, afetada no passado pelos incêndios de 2015 e 2017, “sofreu mais uma descida depois desta tempestade Kristin”, diz o Centro Pinus, associação para a valorização da floresta de pinho.
A floresta de pinho.
A floresta de pinho.Tony Dias / Global Imagens
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Os impactos da tempestade Kristin na fileira do pinho vão prolongar-se por mais dois anos, com a escassez de madeira a afetar o setor, que perdeu 50% da matéria-prima necessária anualmente, estimou esta sexta-feira o Centro Pinus.

A fileira, que já tinha sido afetada pelos incêndios de 2015 e 2017, “sofreu mais uma descida depois desta tempestade Kristin”.

“Levou, segundo os nossos cálculos, cerca de dois milhões de metros cúbicos de madeira, praticamente metade da necessidade anual da fileira”, disse à agência Lusa o presidente do Centro Pinus, associação para a valorização da floresta de pinho, João Gonçalves.

Numa visita de campo ao perímetro florestal da Alva de Pataias, no concelho de Alcobaça, distrito de Leiria, a associação deu hoje a conhecer ações de gestão da floresta destruída pela tempestade do dia 28 de janeiro, e alertou para as dificuldades com que se deparam mais de 300 atores, entre produtores e transformadores, ligados à floresta de pinheiros.

“Esta fileira já se depara com uma escassez de oferta muito grave”, afirmou Nuno Gonçalves, estimando que a quebra de 50% na oferta, resultante da tempestade, “dentro de um ano ou dois vai colocar em perigo 88% dos empregos do setor florestal”, sobretudo na áreas das cerca de 250 serrações de madeira do país, que “não vão conseguir manter-se a trabalhar”, face à escassez de matéria-prima.

Estudar soluções para “reduzir os dados” foi o objetivo da visita que hoje reuniu mais de três dezenas de técnicos ligados ao setor numa exploração de pinheiros vendida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a um proprietário industrial que na última semana efetuou a retirada das árvores derrubadas pelo vento em 16 hectares de pinhal.

A madeira “poderia ter sido armazenada em parques de madeira” e, nesse caso, poderia “manter a qualidade para ser usada dentro de quatro ou cinco anos”. Porém, lamentou João Gonçalves, “só agora, cinco meses depois, saiu a portaria para a construção temporária de parques de madeira”, o que impediu os proprietários de “minimizar o valor da perda” na região.

Segundo o responsável, “vai demorar pelo menos um ano” até que se consiga fazer a gestão das árvores caídas.

“Os operadores estão a trabalhar na medida do que é possível, mas não há mais operadores [do que aqueles que já estavam a operar antes da tempestade] e a área afetada é muito significativa”, vincou o presidente da associação.

Cinco meses depois das intempéries, o representante reconhece como único aspeto positivo o facto de haver grandes quantidades de pinhas que irão permitir a reflorestação natural destas zonas de pinhal.

O Centro Pinus, em colaboração com o ICNF, “conseguiu colher 10 toneladas de pinha, o equivalente a 300 quilos de semente”, ou seja, o valor que “é em média colhido num ano” e que vai possibilitar a reflorestação natural de outras áreas de pinhal do país.

O Pinus foi criado em 1998 para “promover a importância ambiental, social e económica do pinheiro-bravo na floresta portuguesa”.

A associação, sem fins lucrativos, reúne os principais intervenientes da fileira do pinho, incluindo representantes da produção florestal, dos prestadores de serviços, das indústrias, da administração pública, do ensino superior e do setor financeiro.

A floresta de pinho.
Risco de incêndios é maior nas zonas atingidas pela depressão Kristin
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