

O estudo do McKinsey Global Institute (MGI), The race takes off in the next big arenas of competition, conclui que o crescimento económico global está a concentrar‑se em 18 “arenas do futuro” que poderão gerar entre 29 e 48 biliões de dólares anuais até 2040, o equivalente a cerca de 24,9 a 41,4 biliões de euros à taxa de câmbio atual.
Estas arenas poderão representar 30% a 40% do crescimento mundial.
Desde 2022, as arenas cresceram quatro vezes mais do que outros setores em capitalização de mercado e dez vezes mais em receitas.
Entre as áreas destacadas estão software e serviços de IA, veículos autónomos partilhados, veículos elétricos, publicidade digital, cibersegurança, semicondutores, setor espacial, medicamentos contra a obesidade, streaming de vídeo, e‑commerce, robótica, baterias, mobilidade aérea do futuro, construção modular, fissão nuclear, videojogos e biotecnologia não médica.
O relatório, elaborado pelo braço de investigação económica e de negócios da consultora estratégica McKinsey & Company, sublinha que este processo já decorre há quase duas décadas e reflete uma alteração estrutural na criação e distribuição de valor económico.
A concentração geográfica do valor é elevada, uma vez que empresas sediadas nos EUA e na China representam cerca de 90% do valor de mercado dessas arenas.
Os EUA lideram 14 das 18 arenas em capitalização e dez em receitas, enquanto que a China tem vindo a ganhar peso, sobretudo em receitas.
A Europa apresenta uma presença mais limitada, especialmente nas áreas digitais e de software, atribuída a fatores como menor escala empresarial, mercados fragmentados e menor integração em ecossistemas tecnológicos globais — o que constitui um desafio estratégico para a competitividade europeia a médio/longo prazo.
A inteligência artificial é um motor transversal, já que, desde 2022, o conjunto de indústrias base da IA (semicondutores, serviços de cloud e software de IA) acrescentou cerca de 500 mil milhões de dólares em receitas (430 mil milhões de euros) e 11 biliões em capitalização de mercado (9,5 biliões de euros), impulsionando procura por infraestrutura e investimento em escala global.
O MGI identifica também os “omniscalers” — empresas que competem em múltiplas arenas combinando escala financeira, capacidades tecnológicas e rapidez de execução.
Nove empresas encaixam neste perfil, sendo que, em 2025, geraram, em conjunto, 700 mil milhões de dólares de cash‑flow operacional (602 mil milhões de euros) e investiram mais de 800 mil milhões de dólares em I&D e CAPEX (688 mil milhões de euros), expandindo presença para até nove arenas de receita.
Para a McKinsey, competir nas "arenas do futuro" exigirá escala, velocidade e integração tecnológica, com a IA a funcionar como multiplicador de valor. A ausência de massa crítica pode traduzir‑se numa perda estrutural de competitividade para regiões menos expostas, como a Europa.