

O Millenium BCP viu o lucro subir 12,6% nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo. Continua a beneficiar da subida dos juros, mas a situação geopolítica, a volatilidade dos mercados e litígios na Polónia ameaçam o banco.
Os resultados do período de janeiro a setembro foram divulgados na quarta-feira, 29 de outubro. Transmitem uma subida de 12,6% nos lucros (11,2% em Portugal) e "o custo de risco está contido", de acordo com a análise de Maria Parra, vice-presidente para instituições financeiras europeias da Morningstar DBRS.
Neste contexto, "esperamos que o resultado líquido do BCP no ano fiscal de 2026 seja consideravelmente superior ao de 2025, com melhorias adicionais em 2027", aponta. "Em Portugal, antecipamos que a margem financeira [juros recebidos subtraídos dos juros passivos] continue a crescer, impulsionada pelo crescimento da carteira de empréstimos, um balanço bem protegido e taxas Euribor mais elevadas após o último aumento do BCE", escreve a especialista.
Assim sendo, "consideramos que o BCP está bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico para 2025-2028, com o banco a estimar agora um retorno sobre o capital próprio (ROE) de pelo menos 17,5% no ano fiscal de 2028, muito acima da sua meta original de mais de 13,5%", aponta. Por outro lado, a especialista alerta que a situação macroeconómica global implica atenção redobrada.
"Os principais riscos para esta perspetiva são um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de reembolso dos mutuários devido ao aumento dos preços da energia e das taxas de juro, a renovação da volatilidade nos mercados europeus de obrigações soberanas e o risco de litígios em curso na Polónia", onde o Millenium BCP opera através do Bank Millennium S.A., no qual detém uma participação de 50,1%.