Millenium BCP "bem posicionado" para continuar a crescer mas "choque geopolítico" é ameaça

O banco viu o lucro aumentar 12,6% até setembro e uma especialista da Morningstar DBRS antevê um total para 2026 "consideravelmente superior" ao de 2025. Ainda assim, a inflação pode ser um entrave.
O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.
O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Publicado a: 

O Millenium BCP viu o lucro subir 12,6% nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo. Continua a beneficiar da subida dos juros, mas a situação geopolítica, a volatilidade dos mercados e litígios na Polónia ameaçam o banco.

Os resultados do período de janeiro a setembro foram divulgados na quarta-feira, 29 de outubro. Transmitem uma subida de 12,6% nos lucros (11,2% em Portugal) e "o custo de risco está contido", de acordo com a análise de Maria Parra, vice-presidente para instituições financeiras europeias da Morningstar DBRS.

O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.
Lucro do BCP sobe 12,6% para 873,7 milhões de euros até setembro

Neste contexto, "esperamos que o resultado líquido do BCP no ano fiscal de 2026 seja consideravelmente superior ao de 2025, com melhorias adicionais em 2027", aponta. "Em Portugal, antecipamos que a margem financeira [juros recebidos subtraídos dos juros passivos] continue a crescer, impulsionada pelo crescimento da carteira de empréstimos, um balanço bem protegido e taxas Euribor mais elevadas após o último aumento do BCE", escreve a especialista.

Assim sendo, "consideramos que o BCP está bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico para 2025-2028, com o banco a estimar agora um retorno sobre o capital próprio (ROE) de pelo menos 17,5% no ano fiscal de 2028, muito acima da sua meta original de mais de 13,5%", aponta. Por outro lado, a especialista alerta que a situação macroeconómica global implica atenção redobrada.

"Os principais riscos para esta perspetiva são um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de reembolso dos mutuários devido ao aumento dos preços da energia e das taxas de juro, a renovação da volatilidade nos mercados europeus de obrigações soberanas e o risco de litígios em curso na Polónia", onde o Millenium BCP opera através do Bank Millennium S.A., no qual detém uma participação de 50,1%.

O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.
Estado português pondera comprar até 5% do banco BCP quando os chineses da Fosun saírem
O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.
Lucros do BCP sobem 12% para 565,8 milhões no primeiro semestre do ano