Moeve espera produzir hidrogénio verde em Huelva em 2029
A Moeve espera começar a produzir hidrogénio verde em Palos de Frontera (Huelva, sudoeste de Espanha) em 2029, disse esta quinta-feira a empresa de energia espanhola.
A antiga Cepsa lançou formalmente a primeira fase de construção do Vale Andaluz de Hidrogénio Verde, junto à refinaria que tem em Palos e la Frontera, reiterando a previsão de 1.000 milhões de euros de investimento global no projeto.
A Moeve detém 51% do projeto, que conta com outros acionistas públicos e privados, como o fundo Hy24 ou as espanholas Cofides e Enagás.
Segundo os promotores, a nova unidade deverá começar a produzir em 2029 e poderá chegar às 45 toneladas de hidrogénio renovável anuais, "evitando a emissão de cerca de 250.000 toneladas anuais de CO₂ [dióxido de carbono, poluente]".
Qualificado como projeto de interesse pela União Europeia, o projeto vai receber 304 milhões de euros dos fundos comunitários do plano de recuperação e resiliência de Espanha e será, segundo o consórcio de empresas liderado pela Moeve, "o maior centro de produção de combustíveis verdes da Europa".
Inicialmente, a capacidade de produção prevista da nova unidade, em Palos de la Frontera, será de 300 megawatts (MW), ampliável a 405 MW, se houver disponibilidade de ligação à rede elétrica.
O conjunto do projeto Vale Andaluz do Hidrogénio verde prevê uma capacidade total de 2 gigawatss (GW), divididos entre as novas unidades a construir junto às refinarias da Moeve em Palos de la Frontera (a que avança primeiro) e São Roque (Cádiz).
"Hoje deixamos para trás a era dos projetos-piloto de hidrogénio verde para avançar para a construção de projetos de grande escala", afirmou o presidente executivo da Moeve, Maarten Wetselaar, na cerimónia de hoje, em Palos de la Frontera, onde esteve também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
"É um projeto exemplo de uma parte da solução da emergência climática", considerou Sánchez, que sublinhou o apoio do Governo espanhol à produção de energia a partir de fontes renováveis e ao hidrogénio verde em particular, dizendo que é "um projeto de país".
O primeiro-ministro espanhol defendeu ainda que "não é apenas uma questão climática, mas também de autonomia" de Espanha e da Europa.
"Não podemos deixar o nosso abastecimento à mercê de guerras injustificadas, nem pagar as consequências de quem transforma a energia numa das peças dos seus jogos de poder", afirmou.
A Moeve e a Galp fizeram um acordo para fusão dos negócios de refinação e comercialização que deverá estar concluído no segundo semestre deste ano, avançou, em julho, a petrolífera portuguesa.

