Motoristas criticam Uber e Bolt por não ajustarem tarifas face à subida dos combustíveis

A APTAD salienta, em carta aberta enviada às duas plataformas, que “não estamos perante uma variação pontual. Estamos perante um aumento brusco de um dos principais custos da atividade”.
Motoristas criticam Uber e Bolt por não ajustarem tarifas face à subida dos combustíveis
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A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) acusou esta segunda-feira, 16, as plataformas Uber e Bolt de recusarem ajustar as tarifas, apesar da subida “abrupta” do preço dos combustíveis, que agrava os custos do setor.

Numa carta aberta dirigida às duas plataformas, o presidente da APTAD, Ivo Miguel Fernandes, refere que nas últimas semanas verificou-se um aumento “abrupto” do preço dos combustíveis, com subidas próximas de 30 cêntimos por litro no gasóleo, o que tem impacto direto na atividade dos motoristas e operadores TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados).

“Não estamos perante uma variação pontual. Estamos perante um aumento brusco de um dos principais custos da atividade”, lê-se na missiva.

Face a este cenário, o presidente da APTAD considera absolutamente “incompreensível e inqualificável” que as plataformas mantenham a posição de não alterar tarifas em Portugal.

“Esta posição não demonstra apenas uma total desconexão com a realidade económica de quem trabalha no setor. Demonstra também uma profunda falta de respeito pelos operadores e motoristas que asseguram diariamente este serviço”, aponta Ivo Fernandes.

Nesse sentido, a associação critica o argumento de que o modelo das plataformas ajusta os preços apenas em função da procura e da disponibilidade de motoristas, numa altura em que o setor enfrenta o aumento do custo dos combustíveis e do custo de vida.

Na carta, a APTAD defende ainda alterações estruturais no setor, nomeadamente a criação de uma taxa mínima de ocupação das plataformas, medida que obrigaria a ajustar o número de veículos disponíveis à procura real.

Segundo a associação, a solução permitiria evitar a entrada contínua de novos veículos quando a taxa de ocupação é baixa, reduzindo a saturação da oferta e a queda dos rendimentos dos motoristas.

A APTAD considera que a atual revisão da lei que regula o transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados é “uma fase decisiva” para corrigir o que diz serem fragilidades do modelo do setor.

Contactada pela Lusa, fonte da Bolt reconheceu legitimidade nas apreensões dos motoristas e assegurou que a plataforma está a “acompanhar de perto” a situação.

“Estamos conscientes de que os custos com o combustível são uma componente importante dos rendimentos dos motoristas, pelo que vamos acompanhar de perto o impacto do aumento dos preços dos combustíveis”, referiu.

A fonte da Bolt indicou ainda que está a decorrer um processo de avaliação dos preços e dos rendimentos dos motoristas, de forma a introduzir medidas que possam “mitigar o impacto proveniente destes custos a curto prazo”.

“A nossa prioridade é manter o equilíbrio entre os custos de operação dos motoristas que trabalham com os operadores parceiros e os preços cobrados aos passageiros, de modo a garantir que a nossa plataforma continue a ser justa e sustentável para todas as partes”, sublinhou.

A Lusa contactou também a plataforma Uber, mas ainda não obteve nenhuma resposta.

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