Bruxelas quer ver implementada uma linha ferroviária por toda a Europa, o que obrigaria a que os Estados-membros optassem pela mesma bitola. No caso português, a fatura elevada e a resistência de Espanha continuam a fazer deste um processo que “dificilmente será justificável do ponto de vista da racionalidade socioeconómica”.
A explicação faz parte das conclusões de um relatório citado pelo Jornal de Negócios (acesso pago) elaborado pela Infraestruturas de Portugal (IP), intitulado Avaliação da Migração para a Bitola Nominal Europeia. Foi enviado, pela mesma entidade, à Comissão Europeia.
Mexer na rede existente, de forma a transitar para a bitola europeia, custaria até sete mil milhões de euros aos bolsos dos contribuintes. De resto a IP simulou três cenários de migração e todos eles representam "um investimento muito elevado para o setor ferroviário nacional”, pode ler-se. Este é um dos entraves, a somar à decisão da vizinha Espanha.
Além de Portugal, também a Espanha se recusa, para já, a mudar para a bitola europeia. Ora, enquanto a posição de nuestros hermanos se mantiver, Portugal vai dispensar a alteração, já que o território espanhol liga Portugal a toda a Europa.
Em qualquer caso, a “decisão final sobre uma eventual migração da rede deverá ser tomada em total coordenação com Espanha”. É que, de acordo com a IP, “A magnitude dos investimentos envolvidos, o horizonte temporal necessário para concretizar uma eventual migração e consequentes relevantes impactos operacionais, tornam indispensável uma abordagem totalmente integrada com a evolução do sistema ferroviário espanhol”