Na ressaca das tempestades, Portugal vai investir 1,58 mil milhões para reforçar rede elétrica até 2030

Reforçar "a resiliência e a modernização da rede elétrica nacional" são o foco desta medida, que foi aprovada em Conselho de Ministros e deverá criar condições para a transição energética.
A rede elétrica vai ser alvo de um reforço, até 2030.
A rede elétrica vai ser alvo de um reforço, até 2030.EPA/SEBASTIEN NOGIER
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A rede elétrica nacional vai beneficiar de um investimento de 1,58 mil milhões de euros. O objetivo é torná-la mais resiliente e moderna, na sequência do Apagão (em 2025) e das tempestades (já este ano), que expuseram problemas sérios.

O sistema elétrico não é tão fiável como deveria ser. É o que indicam os dados que resultam de vários estudos, como é caso do “Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico Nacional” (RMSA), realizado anualmente pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). A mais recente edição salienta que a fiabilidade do sistema elétrico está abaixo dos mínimos exigíveis, o que poderá resultar num novo apagão.

O cenário é evidentemente negativo e, por isso, o Governo parece apostar agora em mudar algo. Em Conselho de Ministros realizado nesta quinta-feira, 6 de agosto, foi aprovado o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Distribuição de Eletricidade em Alta Tensão e Média Tensão (PDIRD-E 2026-2030).

Significa isto que, entre 2026 e 2030, o Estado vai investir 1,58 mil milhões de euros do dinheiro dos contribuintes para reforçar "a resiliência e a modernização da rede elétrica nacional", pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

A decisão visa preparar a rede para que esta possa "responder aos desafios da transição energética, da crescente eletrificação da economia e da integração de energias renováveis", aponta-se. Recorde-se que Portugal é o quarto país com maior peso registou um peso das energias renováveis no consumo de eletricidade. É que, em 2025, aquele indicador ascendeu a 65,64%, na economia nacional.

Dito isto, os investimentos previstos vão permitir "aumentar a capacidade da rede, reduzir constrangimentos à ligação de novos projetos de produção, consumo e armazenamento de energia" e ainda "reforçar a segurança e a qualidade do abastecimento elétrico", aponta o comunicado. Para já, não são conhecidos pormenores sobre aquilo que estas medidas se poderão concretizar, na prática.

Recorde-se que o Apagão (a 28 de abril do ano passado) e as tempestades mostraram que o sistema tem sérias debilidades. No primeiro caso, o país ficou inteiramente às escuras, durante várias horas, antes de a rede elétrica ser reposta de forma gradual. No segundo, houve danos profundos na mesma rede e milhares de famílias ficaram sem luz, sobretudo na zona de Leiria. Muitas delas continuaram na mesma situação durante semanas.

No que diz respeito às finanças públicas, a decisão significa que vai ganhar tração a execução de investimentos associados ao Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR). Este plano envolve um valor total na ordem de 22,6 mil milhões de euros, entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%), informa-se no site do Governo.

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