

Este artigo foi publicado originalmente na edição de 26 de junho do suplemento Dinheiro Vivo e republicado agora.
Quando embarcarem na expedição à volta do mundo organizada pela Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, os participantes não vão levar enfermeiros a bordo para os acompanhar. Vão ter dispositivos médicos certificados pelo Infarmed e uma aplicação móvel, que irá transmitir informações de saúde para profissionais do outro lado do mundo.
A solução chama-se Care Tracker Health, foi apresentada no Vodafone Open Day e é a versão 2.0 de um serviço que a operadora tem no mercado para monitorizar remotamente idosos e pessoas vulneráveis, incluindo um botão de pânico. É uma evolução natural, disse ao Dinheiro Vivo Frederico Abecasis, gestor de Cloud e Segurança da Vodafone Portugal. O gestor referiu que a solução poderá ser usada por vários tipos de empresas, desde lares de idosos a empresas que prestam cuidados de saúde e atendimento ao domicílio.
“Estes equipamentos têm a grande vantagem de dispensar ter um profissional de saúde em permanência ou ter que fazer visitas às pessoas”, afirmou o responsável. Os primeiros quatro equipamentos da nova versão são um tensiómetro, para medir a tensão, um oxímetro, para medir os níveis de oxigénio, uma balança e um termómetro.
“São coisas que asseguram que as pessoas têm uma monitorização que é muito importante na fase de vida em questão”, sublinhou Abecasis, já que os alvos são pessoas que precisam de medir sinais vitais de saúde com uma regularidade muito mais curta.
O funcionamento é simples e não precisa de formação. O utilizador abre a aplicação, faz a medição usando um dos dispositivos e os dados são enviados de forma automática, com o profissional de saúde que acompanha o paciente a receber a informação. É possível indicar parâmetros que geram alertas sempre que os valores se desviam e também uma lista de tarefas a fazer, tais como dar um remédio e higienizar em horas pré-determinadas.
Frederico Abecasis salientou que a solução dá apoio a uma área onde há escassez de trabalhadores. “Infelizmente, estes profissionais de saúde que são necessários para o atendimento ao domicílio não abundam, pelo contrário”, referiu. “Eu diria que soluções como esta são uma enorme ajuda para estas empresas que querem prestar melhores serviços e que se querem diferenciar para tomar conta das pessoas.”
Para os utentes, que têm familiares idosos a viver sozinhos, o serviço é reconfortante porque emite relatórios e dá segurança de monitorização constante.
No futuro, a intenção é adicionar mais dispositivos certificados à solução, que foi pensada para um modelo de negócio empresarial B2B. “Temos em roadmap outros dispositivos, alguns já certificados pelo Infarmed, outros ainda em fase de certificação”, adiantou Frederico Abecasis. “Os que já estão certificados no Infarmed estão agora a fazer todos os testes de conformidade e de integração com as plataformas que alimentam e que estão por trás desta solução.” O executivo prometeu para breve mais novidades, dizendo que são equipamentos médicos que vão permitir observar mais indicadores de saúde, nomeadamente indicadores sanguíneos, como a glicose e o colesterol.
A Vodafone acredita que a solução é interessante para unidades de saúde e hospitais, incluindo grupos particulares que têm serviços de apoio ao domicílio. “Podemos daqui para a frente fazer parcerias com estas entidades, em que, nesses serviços que elas prestam, incorporam esta nossa solução e conseguem, de uma forma muito mais eficiente, fornecer um serviço de melhor qualidade aos seus pacientes”, apontou Abecasis.
Estes serviços, salientou, são cada vez mais requisitados no mercado porque a população está envelhecida e é uma necessidade cada vez maior. “As pessoas mais idosas não querem sair de sua casa, querem manter-se ali e a última coisa que querem é sair para um lar”, apontou. “Para que consigam estar em casa, têm que ter muitas vezes este acompanhamento.”
Mas os preços são elevados e não há enfermeiros e cuidadores em número suficiente para as necessidades. O Care Tracker Health, disse, pode alargar o universo de cuidadores que conseguem auxiliar na monitorização. “Com os instrumentos certos, podem intermediar a relação entre a pessoa de quem estão a tomar conta e um profissional de saúde que acaba por estar centralmente a servir uma série de outros lares”, explicou. O profissional recebe informação em tempo real e pode agir logo se houver valores que saem do normal, tal como instruir o cuidador a dar oxigénio ao paciente ou chamar uma ambulância para ir para o hospital.
“Vamos querer ter uma oferta cada vez mais completa dentro desta área e possibilitar às pessoas estar em casa a ser monitorizadas, sem haver a necessidade de se deslocar a um hospital ou de haver um médico que tenha que ir com alguma regularidade fazer estas medições”, resumiu o responsável. “Elas podem ser feitas em casa e os dados são enviados para o médico que estiver a acompanhar.”