“O maior custo não é investir na tecnologia, é como é que operam sem ela”
Este artigo foi publicado originalmente na edição de 3 de julho do suplemento Dinheiro Vivo e republicado agora.
Quais são as maiores necessidades de tecnologia das micro e pequenas empresas?
Grande parte das microempresas e mesmo das pequenas e médias não tem departamentos de IT internalizados. Fizemos um estudo a mais de 100 PME e 80% delas têm estes serviços externalizados. São muito poucos os casos das empresas com estas equipas nos seus quadros. Temos de perceber como é que as empresas operam e, então, encaminhar para aquilo que são as soluções que temos no nosso portefólio.
Estas empresas mais pequenas não procuram um tipo específico de tecnologia, querem que a vida delas seja facilitada sem complicações. E o mais importante ainda é terem uma conectividade que seja muito resiliente, que é a base de tudo isso. Se não tivermos um serviço móvel e um fixo que esteja bem concertado, é muito difícil conseguir crescer para o resto das soluções.
E depois temos de conseguir crescer num conjunto de soluções digitais que vêm facilitar as suas operações.
A cibersegurança também já não é só um tema que pode estar na berra, já temos um contexto regulatório que assim o exige. Acaba por tocar ali numa série de pilares que mesmo a pequena empresa tem, desde a área das suas operações até à área de relação com o cliente. Estes pilares aplicam-se quer seja uma empresa com cinco colaboradores ou uma empresa quase com 100, são transversais. A complexidade do negócio é que exige soluções mais ou menos robustas para este tipo de empresa.
Portanto, se a empresa vai precisar de uma rede própria de 5G ou IoT vai depender de qual é que é a fase e o negócio?
E o que é que a empresa precisa. Se estivermos a falar com uma fábrica ou uma empresa que tenha área fabril, como é que avalia a sua produção e o cliente tem de nos explicar que tem X máquinas de X marca. É aí que vamos ver as tecnologias que temos para conseguir ajudar o cliente nesta matéria.
O nosso papel acaba por ser quase o tradutor de toda esta tecnologia, mas centralizada. Se tudo isso for separado, é muito complexo. Se tudo estiver separado e não for integrado, é muito difícil para estes clientes pequenos conseguirem, de facto, melhorar a sua vida.
Muitas empresas querem fazer coisas, mas depois não têm o orçamento disponível. Como é que se resolve isso?
Se estivermos a falar das empresas que são recém-criadas, muito relutantes face ao risco, temos de ter mais algum cuidado em conseguir explicar como é que vão ter o retorno deste investimento. Não é o Office 365 que vai custar X ou a solução de cibersegurança Lookout que vai custar Y. É colocar noutra perspetiva: se o seu negócio parar durante X dias, qual é o peso na paragem de produção? Como é que vai operar uma clínica veterinária se deixar de aceder aos dados dos seus animais?
Temos de colocar aqui o apuramento da necessidade e do valor que está a ser apresentado, como também explicar que as soluções não trazem surpresas. O maior custo não é investir na tecnologia, é colocar a conversa de outro modo: como é que operam sem ela?
No Vodafone Open Day apresentaram alguma coisa interessante para empresas mais pequenas?
Há duas soluções que gostava de referir. Uma é a dos serviços geridos. Nós até conseguimos vender as soluções de cibersegurança, as soluções Microsoft, mas depois o cliente não as adota. Nunca vai ver o resultado da tecnologia em benefício do seu negócio. Nos serviços geridos, as nossas equipas implementam o serviço ao cliente, se tiver questões sobre a sua solução ou questões de configuração liga-nos e apoiamos diretamente nessa execução do licenciamento. Para quem tem os departamentos de IT externalizados não somos o concorrente, somos uma extensão. Os que não têm ficam com tudo centralizado e têm uma equipa à sua disposição.
Depois temos outra solução, VB SOC, o nosso centro de operações de segurança. Temos em Portugal e na Roménia equipas que estão 24/7 a ver todas as soluções que os clientes têm e se houver alguma falha de segurança proativamente entramos em contacto. Portugal foi o grande motor desta solução e já estamos a passá-lo para outros países.
Quais são as maiores oportunidades para as PME ao nível da tecnologia, da transformação dos seus negócios?
Tudo o que passa por automatizar processos, a informação passar para a cloud, as ferramentas digitais que ajudem na colaboração são oportunidades diretas para que existam poupanças de custos, mais eficiência e onde a tecnologia pode ajudar as empresas a ganhar alguma escala.
Depois, tudo o que permita a estas empresas pequeninas escalar pelo mundo, ou seja, e-commerce. Há oportunidades para falar com clientes de todo o mundo, já não há barreira física. Esta é uma área onde temos ajudado muitas empresas a crescer e é fácil de escalar, nem que seja uma loja online e e-mail marketing para falar com muitos clientes ao mesmo tempo. Aqui há uma oportunidade, as barreiras geográficas acabaram por ser removidas com este tipo de soluções.
Muito se fala também daquilo que é a Inteligência Artificial e a automação dos processos. Tanto seja numa área de vendas, nas áreas de operações, a própria produtividade e a tomada de decisão. Acabamos por dar muito mais eficiência a estas empresas quando tudo fica mais rápido.

