Oitante quer entregar ao Fundo de Resolução metade do lucro de 20,3 milhões de 2025
A Oitante, gestora do património restante do Banif, anunciou esta quinta-feira um lucro de 20,3 milhões de euros em 2025, contra 26,2 milhões em 2024, propondo entregar 10,1 milhões de euros ao Fundo de Resolução (FdR).
“Face ao desempenho alcançado, o Conselho de Administração propôs a distribuição de um dividendo de 10,1 milhões de euros ao Fundo de Resolução, acionista único, podendo este montante ser revisto até ao limite do resultado líquido do exercício, em função da evolução da liquidez e do processo de desinvestimento”, lê-se num comunicado divulgado esta quinta-feira.
Também em comunicado divulgado hoje, o FdR destaca tratar-se do “décimo ano consecutivo com resultados positivos” da Oitante, indicando estar “prevista a possibilidade de ser realizada uma nova distribuição [de dividendos] ao Fundo de Resolução no final do ano”.
Entre 2020 e 2025, a Oitante diz ter distribuído dividendos acumulados de 176,2 milhões de euros. Já o FdR refere que, com o pagamento do dividendo de 2025, “o montante distribuído ao Fundo de Resolução, desde a constituição da Oitante, totalizará 186,3 milhões de euros, antes de impostos”.
“Fruto dos resultados acumulados desde 2015, os capitais próprios da Oitante – detida a 100% pelo Fundo de Resolução – ascendiam, a 31 de dezembro de 2025, a 115,7 milhões de euros, já descontadas as distribuições de lucros e de reservas feitas ao Fundo de Resolução até àquela data”, salienta ainda o FdR.
No ano passado, a Oitante detalha ter obtido uma receita total de 37,7 milhões de euros, que compara com 67,5 milhões de euros em 2024, “resultante da venda de ativos imobiliários, recuperação de crédito e rendimentos financeiros”.
Já o resultado operacional caiu de 22,6 milhões de euros em 2024 para 19,2 milhões em 2025, “refletindo o processo de desinvestimento e a redução gradual da dimensão da carteira sob gestão”.
Os dividendos recebidos de participações detidas e de juros obtidos com aplicações financeiras suportaram resultados financeiros de 2,5 milhões de euros no ano passado.
Desde a sua constituição, a Oitante diz ter vindo a executar o seu plano de desinvestimento, destacando a geração de uma receita acumulada de 1.353 milhões de euros, o reembolso integral e antecipado dos 746 milhões de euros de dívida emitida aquando da sua constituição e o resultado líquido acumulado de 287,5 milhões de euros, além dos 176,2 milhões de euros distribuídos em dividendos.
Num contexto de progressiva redução da carteira, a Oitante aponta como prioridades a "gestão ativa e maximização da recuperação dos ativos” (NPLs, REOs e outros), a "otimização da carteira, privilegiando oportunidades de realização de valor”, e a "manutenção de níveis adequados de liquidez, assegurando flexibilidade operacional”.
“A sociedade manterá o foco na maximização da recuperação dos recursos mobilizados pelo Fundo de Resolução no âmbito da resolução do Banif, com o objetivo de distribuir, cumulativamente, dividendos correspondentes a, pelo menos, 85% dos 489 milhões de euros em causa, o que equivale a cerca de 416 milhões de euros”, indica.
A empresa Oitante foi criada pelo Banco de Portugal (BdP), em dezembro de 2015, no âmbito da resolução do Banif, para gerir os ativos que pertenciam ao Banif e que o Santander Totta não comprou (imóveis com imparidade, crédito malparado, participações financeiras em empresas com atividade deficitária ou em processo de venda).
O Fundo de Resolução detém a totalidade do capital da Oitante, sendo que os pagamentos (relativos às distribuições de lucros e de reservas) contribuem para a redução dos prejuízos de 489 milhões de euros que o FdR suportou na resolução do Banif.

