

Só 20,2% das empresas em Portugal cumprem os prazos de pagamento acordados com fornecedores, posicionando o país no penúltimo lugar entre 37 economias analisadas, revela a 12.ª edição do estudo sobre comportamento de pagamentos da Informa D&B, com dados relativos a maio de 2026.
O relatório mostra que 65,2% das empresas pagam com atraso até 30 dias, 9% atrasam‑se entre 30 e 90 dias e 5,6% demoram mais de 90 dias a regularizar as suas dívidas.
Em termos comparativos, a percentagem de empresas cumpridoras na União Europeia subiu para 52% no final de 2025, acentuando a lacuna de Portugal — uma diferença de 32 pontos percentuais, a maior desde que a diretiva europeia de pagamentos foi transposta em 2013.
Por sectores, o grossista regista o menor atraso médio (19 dias), enquanto o alojamento e restauração apresenta o maior (30 dias) e a menor taxa de empresas cumpridoras (11%).
Curiosamente, as grandes empresas são as que menos cumprem os prazos — apenas 4% pagam dentro do tempo acordado — mas têm menor incidência de atrasos superiores a 90 dias, sugerindo um padrão de pagamento mais previsível e com risco reduzido de incumprimento grave.
O indicador de Risco Delinquency da Informa D&B aponta actualmente para cerca de 66 mil empresas (12% do tecido empresarial) com risco de atrasos superiores a 90 dias junto de pelo menos um credor — um aumento significativo face às 43 mil empresas identificadas no ano anterior.
O universo da análise inclui empresas ativas em 5 de maio de 2026 e utiliza o Paydex, indicador da Dun & Bradstreet que mede o número médio de dias de atraso face aos prazos contratados.