Prejuízo da TAP cresce para quase 100 milhões de euros à boleia do preço dos combustíveis

Apesar do resultado negativo, a empresa conseguiu aumentar as suas receitas e estabeleceu um novo recorde no número de passageiros transportados nos primeiros seis meses do ano.
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TAPFOTO: Paulo Spranger / Global Imagens
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A TAP anunciou um prejuízo de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento significativo em comparação com as perdas de cerca de 70 milhões de euros no mesmo período de 2025.

Este resultado é atribuído, em grande parte, ao aumento dos custos com combustível, que tem pressionado as contas da companhia.

Apesar do resultado negativo, a transportadora aérea conseguiu aumentar as suas receitas e estabeleceu um novo recorde no número de passageiros transportados nos primeiros seis meses do ano.

As receitas operacionais subiram 4,3%, totalizando dois mil milhões de euros, enquanto as receitas de bilhetes cresceram 4,4%, alcançando 1.829,2 milhões de euros. Este crescimento é um reflexo da forte procura nos mercados da TAP, principalmente na América do Sul e na Europa.

Durante o primeiro semestre, a TAP transportou 8,2 milhões de passageiros, um aumento de 4,2% em relação ao período homólogo. A companhia operou também 57,5 mil voos, o que representa uma ligeira subida de 0,3%. O tráfego cresceu 5,9%, superando o aumento da capacidade, que foi de apenas 1,7%, resultando numa taxa de ocupação de 85,4%, um incremento de 3,4 pontos percentuais.

Entretanto, a empresa enfrentou um forte aumento dos custos com combustível, que cresceu 18,7% no semestre, com uma aceleração acentuada de 52,3% no segundo trimestre. O aumento dos preços dos combustíveis, em consequência do conflito no Médio Oriente, continua a ser um dos principais desafios para o setor aéreo, que é altamente sensível às flutuações do preço do ‘jet fuel’.

A TAP explicou que o impacto dos preços elevados se fez sentir imediatamente nos custos, enquanto as medidas de aumento de receitas têm um efeito mais gradual, uma vez que muitos bilhetes já tinham sido vendidos antes do aumento dos preços.

Por outro lado, EBITDA recorrente fixou-se em 181,9 milhões de euros, mas o EBIT recorrente apresentou um resultado negativo de 83,7 milhões de euros.

É bom lembrar, no entanto, que os números do primeiro semestre não incluem ainda a época alta de verão, que é crucial para a geração de receitas na aviação.

Além disso, a TAP fortaleceu sua posição financeira com uma emissão obrigacionista de 350 milhões de euros, terminando junho com 1,2 mil milhões de euros em caixa e equivalentes.

O CEO da companhia aérea, Luís Rodrigues, afirma que "o desempenho do primeiro semestre sublinha a robustez do modelo de negócios da TAP e a força da procura em toda a nossa rede". Destacou ainda que o impacto do aumento dos preços dos combustíveis foi sentido de imediato, enquanto as soluções para compensar esse impacto nas receitas tendem a levar mais tempo.

Rodrigues ressaltou que o semestre foi marcado pela conclusão do plano de reestruturação reconhecido pela Comissão Europeia e anunciou que "a TAP inicia agora um novo capítulo" com um plano estratégico para a próxima década, focado na criação de valor sustentável.

Estes resultados são apresentados num momento em que avança a privatização parcial da TAP, com propostas da Air France-KLM e da Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital. A Parpública, responsável pelas participações do Estado, deverá entregar ao Governo, a 1 de setembro, um relatório final sobre as propostas, ficando a decisão nas mãos do Executivo.

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