Preço dos combustíveis pressiona liquidez de 36% das empresas na Europa

Embora a logística e os transportes sejam os setores mais fustigados, a Morningstar DBRS sublinha que o perigo é localizado e que dois terços do tecido empresarial ainda mantêm folga financeira.
Preço dos combustíveis pressiona liquidez de 36% das empresas na Europa
Foto: Arquivo DN
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A subida do preço dos combustíveis está a pressionar a liquidez de 36% das médias empresas na Europa, revelou um estudo da Morningstar DBRS feito a 148 organizações e publicado esta terça-feira. Os setores da logística e do transporte surgem na linha da frente das atividades mais fustigadas, embora a agência sublinhe que a situação constitui um perigo localizado e não uma ameaça generalizada para o tecido empresarial.

O relatório indica que perto de dois terços das empresas acompanhadas possuem folga financeira para lidar com o agravamento dos encargos energéticos. As maiores dificuldades concentram-se nas entidades com custos operacionais fortemente dependentes do crude, como a logística, a indústria transformadora e a produção de equipamento médico, onde o transporte e a fatura energética pesam diretamente no produto final.

O gasóleo no espaço comunitário manteve-se acima dos dois euros por litro até meados de outubro, um valor distante da média de 1,52 euros praticada em 2025. O conflito diplomático e militar entre Washington e Teerão, associado às restrições no abastecimento proveniente da Rússia e do Golfo Pérsico, impulsionou as cotações, anulando em parte o alívio proporcionado pelas reservas estratégicas e pelo reforço da importação de gás natural liquefeito na Europa, destaca o relatório.

Os peritos da Morningstar DBRS antecipam que os efeitos mais severos no desempenho financeiro surjam apenas em 2027, quando terminar a vigência dos contratos de fornecimento atuais e for necessária a assinatura de novos acordos a preços inflacionados.

Nas projeções traçadas pela agência, num cenário de quebra de 10% no EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), um quarto das empresas expostas sofreria uma degradação no seu perfil de risco financeiro. A capacidade de repassar este aumento de custos para o cliente final e a manutenção de níveis adequados de tesouraria serão vitais para evitar cortes nas notações de crédito das empresas analisadas, cujo EBITDA médio se fixa nos 56 milhões de euros.

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