Presidente do Metropolitano de Lisboa: "se fossemos privados, já tínhamos ido à falência"

A garantia é da empresária Cristina Vaz Tomé, que chegou ao cargo este ano. A própria foi oradora numa conferência apoiada pelo DN/DV, na qual "o Poder da Inovação" foi tema central.
Os oradores da conferência realizada no Caramulo Experience Center foram (da esquerda para a direita): Paulo Pereira da Silva, da Renova, Cristina Vaz Tomé, do Metropolitano de Lisboa e Luís Abrantes, da Movecho.
Os oradores da conferência realizada no Caramulo Experience Center foram (da esquerda para a direita): Paulo Pereira da Silva, da Renova, Cristina Vaz Tomé, do Metropolitano de Lisboa e Luís Abrantes, da Movecho.FOTO: Paulo Spranger/Global Imagens
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A nova presidente do Metropolitano de Lisboa criticou a gestão anterior e reiterou que a empresa só continua a funcionar porque é uma empresa pública, o que significa que recorre a financiamento do Estado.

Cristina Vaz Tomé desempenha o cargo desde janeiro e participou numa conferência realizada na passada sexta-feira, no Caramulo Experience Center, acerca do tema “O Poder da Inovação”, com o apoio do DN e DV. O evento contou com outros dois empresários: Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova e Luís Abrantes, CEO da Movecho. A moderação ficou a cargo de João Cotta, presidente da Direção da AIRV.

Com a inovação em foco, Cristina Vaz Tomé lembrou que esta depende muito da competição com que cada empresa se depara. Ora, no caso do Metro, falta concorrência, de acordo com a própria. Por este motivo, denota-se "maior apetência para estagnar", atira.

Prova disto é que, quando assumiu a posição, a própria encontrou as "escadas rolantes e elevadores do metro sempre parados", admite, antes de ir mais longe. "Havia escadas rolantes paradas há quatro anos", salienta.

Posto isto, "se nós [Metropolitano de Lisboa] fossemos privados, já tínhamos ido à falência", sublinhou, antes de lembrar a importância de melhorar os resultados financeiros da empresa. "Temos que ter retorno do investimento; ou aumentamos as vendas, ou reduzimos os custos", acrescentou a própria, que foi secretária de Estado da Gestão da Saúde no último governo, entre 2024 e 2025.

A respeito da inovação, a própria disse que a empresa está a desenvolver um sistema de sinalização que permitirá a circulação do Metro sem maquinista. Cristina Vaz Tomé explicou ainda que, para "gerir os sindicatos", é decisivo inovar, de forma a evitar que a agenda dos mesmos se torne "mais importante do que a agenda da empresa", acrescentou.

Paulo Pereira da Silva, por seu turno, assinalou que "a inovação vem de questões híbridas", pelo que a Renova tenta "ir buscar ideias a outras indústrias", de forma a aplicá-las na no papel que a empresa fabrica. Este deve ser o foco, de acordo com o próprio, já que é extremamente difícil ter "uma ideia totalmente original", aponta.

O empresário garante que a necessidade de inovar está presente no dia-a-dia da empresa, na medida em que "os nossos produtos têm um comprimento de vida muito curto [no tempo]", aponta. Em simultâneo, "dos produtos novos, metade são insucessos", o que exige ainda mais da Renova no que respeita a inovação, de acordo com o próprio, que deixa um alerta.

Na indústria do papel, "parece que tudo o que se faz é para diminuir custos e aumentar eficiência, não para criar valor", diz. Paulo Pereira da Silva dá o exemplo do Caramulo, onde o cenário é totalmente distinto, com a inovação em foco, como forma de criar valor para a economia.

No caso de Luís Abrantes, presidente da Movecho, salienta que a empresa "não vive sem inovação; é aquilo que nos posiciona", de acordo com o empresário.

A Movecho trabalha como alfaiate do mobiliário, no sentido em que fabrica móveis de luxo feitos à medida dos pedidos dos clientes. Em todo o caso, trabalha com de tudo um pouco, desde uma autoestrada à decoração de um hotel.

Ora, a respeito de inovação, o próprio lembra que a empresa passou a fazer "os desenhos em 3D, em realidade virtual" e a apresentá-los aos potenciais compradores neste formato, que "era uma absoluta novidade", recorda. Uma ideia que permitiu crescer no mercado e que nasceu da análise do trabalho que era desenvolvido pelas maiores empresas do setor, acrescenta.

"É mais fácil fazer algo que nunca ninguém fez do que fazer algo diferente num mundo em que toda a gente faz igual", destacou o próprio. "Foi isso que fizemos: olhamos para o mercado e pensamos 'que valor é que podemos dar ao cliente?'", salientou.

Os oradores da conferência realizada no Caramulo Experience Center foram (da esquerda para a direita): Paulo Pereira da Silva, da Renova, Cristina Vaz Tomé, do Metropolitano de Lisboa e Luís Abrantes, da Movecho.
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