

A espanhola Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) autorizou a exclusão das ações da Ercros de bolsa, após a oferta pública de aquisição (OPA) da portuguesa Bondalti, segundo um comunicado.
Assim, a CNMV autorizou “a oferta de exclusão da Ercros, S.A. apresentada pela Bondalti Iberica, S.L.U. no dia 01 de julho de 2026, por considerar que os seus termos estão em conformidade com a regulamentação em vigor e que o conteúdo do prospeto explicativo apresentado, na sequência das últimas alterações registadas em 17 de julho de 2026, é suficiente”.
A 30 de junho, a assembleia-geral da Ercros aprovou a saída de bolsa da empresa após a OPA feita pela Bondalti, que adquiriu 77,23% do seu capital em março.
Os acionistas aprovaram também o lançamento de uma oferta pública de aquisição obrigatória pela Bondalti para aquisição das restantes ações que ainda não controla, ao preço de 3,505 euros por ação.
A CNMV lembrou hoje que a “oferta diz respeito a 100% do capital social da Ercros, S.A., composto por 91.436.199 ações, admitidas à negociação nas Bolsas de Valores de Madrid, Barcelona, Bilbau e Valência e integradas no Sistema de Interconexão Bursátil, excluindo as 70.615.637 ações da Ercros, representativas de 77,23% do seu capital social, que foram imobilizadas pelo oferente [Bondalti]”.
Consequentemente, destacou, “a oferta estende-se efetivamente à aquisição de 20.820.562 ações da Ercros, S.A., representativas de 22,77% do seu capital social.
O preço da oferta é de 3,505 euros por ação e foi fixado pela Ercros, recordou.
“As ações serão excluídas da negociação quando a operação tiver sido liquidada”, destacou.
Em março, o grupo português Bondalti, controlado pela 'holding' José de Mello, assumiu o controlo da Ercros ao adquirir 77,23% do capital da química catalã, no âmbito de uma OPA no valor de cerca de 329 milhões de euros.
Inicialmente, o Conselho de Administração da empresa tinha emitido um parecer "desfavorável" à OPA da Bondalti, mas sem que a decisão tivesse sido tomada por unanimidade.
O grupo português argumentou que, apesar de um relatório indicar que nas duas últimas assembleias gerais os acionistas da Ercros manifestaram de forma maioritária a sua opinião desfavorável à OPA, "não há registo de que tenha havido qualquer votação a este respeito".
A Bondalti defendeu ainda que tinha sido emitido "um grave juízo de valor ao insinuar que a Ercros ficaria diluída e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior cujo negócio principal não é o químico, quando tal não corresponde à realidade", reiterando que "a indústria química tem sido o negócio fundador do Grupo José de Mello desde a sua criação em 1898".
A Bondalti é o maior produtor português e um dos principais operadores ibéricos no setor de químicos industriais, com unidades fabris em Estarreja (Portugal) e Torrelavega (Espanha).