Securitas estima fechar o ano com "faturação a rondar os 151 milhões de euros" e reforça aposta na tecnologia
No ano em que comemora 60 anos em Portugal, a Securitas acelera a sua transformação, com o CEO Frederico Paiva a destacar a transição da vigilância física para soluções tecnológicas baseadas em inteligência artificial (IA) e dados, em entrevista ao Dinheiro Vivo. O gestor detalha a recente reestruturação do negócio, visando uma organização mais ágil e preditiva, e analisa o futuro da segurança privada no país.
Como descreve o significado destes 60 anos da Securitas em Portugal para a empresa e para o setor da segurança privada e em que consiste a reestruturação do negócio já delineada?
Assinalar 60 anos de atividade em Portugal é um marco de enorme significado para a Securitas. Desde 1966, quando iniciámos a atividade e nos tornámos a primeira empresa privada de segurança em Portugal, temos contribuído para a profissionalização, modernização e valorização do setor. Mais do que celebrar o passado, queremos celebrar uma trajetória de evolução contínua e de capacidade de adaptação às necessidades dos nossos clientes. A reestruturação que estamos a implementar reflete precisamente essa visão de futuro. Reforçámos áreas críticas como Tecnologia, Segurança da Informação, Soluções e Inovação, Sustentabilidade e Customer Care, criando uma organização mais ágil, mais próxima do cliente e mais preparada para acelerar a nossa transformação enquanto empresa de soluções de segurança integradas.
Quais os resultados da atividade da empresa em Portugal no último semestre?
O primeiro semestre confirmou a robustez do nosso modelo de negócio e a forte procura por soluções de segurança cada vez mais integradas e tecnologicamente evoluídas. Continuámos a crescer em segmentos estratégicos, reforçando a nossa presença em áreas como a vigilância remota, monitorização inteligente, soluções eletrónicas, segurança contra incêndios e serviços especializados. Mais importante do que os números, verificámos uma evolução consistente da qualidade da receita, com um peso crescente das soluções tecnológicas e dos serviços de maior valor acrescentado, acompanhando a transformação que temos vindo a promover no mercado português. A Securitas estima acabar o ano de 2026 com uma faturação a rondar os 151 milhões de euros (12% quota mercado), mantendo uma base de clientes em tudo semelhante à verificada em 2025.
Ser a primeira empresa de segurança privada em território nacional ainda hoje se traduz em alguma responsabilidade ou vantagem competitiva concreta?
Sem dúvida. Ser pioneiro traz uma responsabilidade acrescida. Os nossos clientes, colaboradores e parceiros esperam que continuemos a liderar a evolução do setor. Essa liderança traduz-se numa capacidade única de combinar experiência operacional, conhecimento profundo do risco e investimento contínuo em inovação. A confiança construída ao longo de seis décadas representa uma vantagem competitiva importante, mas obriga-nos igualmente a estar permanentemente na linha da frente da transformação.
Em que momento perceberam que o core do negócio tinha de migrar para soluções tecnológicas e quais foram os principais motores dessa decisão?
A transformação não aconteceu de um momento para o outro. Foi o resultado da evolução das necessidades dos clientes e da crescente complexidade dos riscos. Os clientes passaram a exigir maior eficiência, mais informação em tempo real, modelos preventivos e capacidade de tomada de decisão baseada em dados. Percebemos que a tecnologia deixava de ser apenas um complemento à vigilância humana para se tornar numa componente central da própria estratégia de segurança.
O que significa, em termos práticos, a tecnologia representar já mais de 50% do negócio e cerca de 75% dos resultados em Portugal?
Significa que a Securitas é hoje muito mais do que uma empresa de vigilância. Atualmente, o nosso crescimento está cada vez mais associado à capacidade de desenhar soluções integradas que combinam pessoas, tecnologia, inteligência e processos. A tecnologia permite-nos aumentar a eficiência operacional, melhorar a experiência do cliente, antecipar riscos e criar soluções mais escaláveis e sustentáveis. Em termos práticos, demonstra que o mercado reconhece valor em soluções que vão muito além da presença física de um vigilante, privilegiando modelos de segurança mais inteligentes e orientados para resultados.
Que tipo de soluções tecnológicas estão hoje no centro da proposta de valor da Securitas e que exemplos concretos ilustram essa transformação?
Hoje trabalhamos com um conjunto alargado de soluções tecnológicas que incluem videovigilância inteligente, monitorização remota, analítica de vídeo, sensores IoT (Internet das Coisas), sistemas de controlo de acessos, rastreamento e localização em tempo real, plataformas integradas de gestão de segurança e tecnologias apoiadas por inteligência artificial. O Securitas Operation Center é um excelente exemplo desta abordagem integrada, reunindo tecnologia avançada, equipas especializadas e processos estruturados numa única plataforma operacional. Estamos também a desenvolver soluções de monitorização em tempo real de pessoas e ativos que permitem aos clientes obter uma visão integrada das suas operações e dos seus riscos.
Que competências digitais e técnicas são hoje indispensáveis para um profissional de segurança privada na Securitas?
O profissional de segurança de hoje precisa de combinar competências humanas e tecnológicas. Para além das competências tradicionais associadas à vigilância e gestão de situações críticas, valorizamos cada vez mais a literacia digital, a utilização de ferramentas tecnológicas, a capacidade de interpretar informação e dados, a adaptação à inovação e o conhecimento básico de sistemas eletrónicos de segurança. A segurança continua a ser feita por pessoas, mas pessoas cada vez mais apoiadas por tecnologia e informação.
Como é que a convergência entre inteligência artificial, dados, automação e capacidades humanas está a mudar a forma como antecipam, gerem e mitigam riscos para os clientes?
Estamos a evoluir de um modelo predominantemente reativo para um modelo cada vez mais preditivo. A combinação de inteligência artificial, automação e análise de dados permite identificar padrões, detetar comportamentos anómalos e gerar alertas mais rápidos e precisos. Isto aumenta significativamente a capacidade de antecipação e reduz tempos de resposta. Mas a tecnologia não substitui as pessoas. O verdadeiro valor surge da combinação entre inteligência humana, conhecimento operacional e tecnologia avançada.
Que tipo de modelos de prevenção inteligente já estão a ser aplicados e em que medida mudam a lógica “reativa” do setor para uma lógica “preventiva”?
Através da analítica de vídeo, monitorização remota, sensores inteligentes e plataformas de gestão centralizada, conseguimos identificar potenciais incidentes antes de estes ocorrerem ou agravarem. A prevenção inteligente permite detetar intrusões, permanências anómalas, movimentos suspeitos ou comportamentos não conformes em tempo real, reduzindo a dependência da intervenção após o incidente. O foco deixa de ser apenas responder ao problema e passa a ser evitar que ele aconteça.
Que mudanças observa na relação com empresas e organizações clientes em termos de expectativas, exigência tecnológica e partilha de informação?
Os clientes tornaram-se muito mais exigentes e sofisticados. Hoje procuram parceiros capazes de contribuir para o seu negócio e não apenas fornecedores de serviços. Esperam visibilidade em tempo real, acesso a dados, indicadores de desempenho, integrações tecnológicas e capacidade de resposta rápida a novos riscos. Existe também uma maior preocupação com temas como cibersegurança, proteção de dados, resiliência operacional e sustentabilidade, o que eleva o nível de exigência e reforça a importância de soluções integradas.
Na sua visão, como será a segurança privada em Portugal dentro de cinco anos e qual será o papel da Securitas nesse futuro?
Dentro de cinco anos veremos um setor muito mais tecnológico, conectado e orientado por dados. Os sistemas serão capazes de antecipar riscos com maior precisão, a inteligência artificial terá um papel crescente na análise e geração de alertas e a integração entre o mundo físico e digital será cada vez mais forte. A Securitas pretende continuar a liderar essa transformação. O nosso objetivo é sermos reconhecidos como a principal empresa de soluções de segurança inteligentes em Portugal, combinando pessoas, tecnologia e inovação para gerar valor sustentável para os nossos clientes e para a sociedade.

