Sonangol quer manter ativos em Portugal por serem estratégicos para diversificação

Estratégia foi abordada no dia em que a petrolífera anunciou um resultado líquido de 636 milhões de euros em 2025, uma queda de 11% em relação ao ano anterior.
FOTO: Global Imagens
FOTO: Global Imagens
Publicado a

A Sonangol quer manter as participações que detém em Portugal, na petrolífera Galp e no banco BCP, por considerar que são ativos estratégicos que contribuem para a diversificação do seu portefólio e mitigação de riscos económicos.

Segundo o administrador da petrolífera angolana Osvaldo Inácio, em conferência de imprensa em Luanda, o objetivo estratégico é manter os dois ativos, sublinhando que estas participações continuam alinhadas com a estratégia da Sonangol.

O Grupo Sonangol detinha uma participação qualificada de 19,49% do capital do BCP à data de 30 de junho, a informação mais recente no site oficial da instituição bancária, sendo o segundo maior accionista, e na GALP a participação é indireta, através da Esperaza Holding, sociedade controlada pela estatal angolana do sector petrolífero, que tem parte do capital da Amorim Energia (esta com 36,7% da petrolifera portuguesa).

O responsável destacou que se trata de “dois ativos muito importantes na estratégia de diversificação do portfólio da Sonangol”, permitindo à empresa reduzir a exposição a choques no setor petrolífero.

“Temos de manter um portfólio relativamente diversificado, que depois ajuda a lidar com os choques económicos”, sustentou.

Osvaldo Inácio acrescentou que estes investimentos “fazem parte da estratégia de investimento fora de Angola”, reforçando a presença internacional da empresa.

As participações angolanas nas empresas portuguesas geraram dividendos relevantes em 2024.

A petrolífera estatal angolana apresentou hoje os resultados preliminares relativos a 2025, anunciando um resultado líquido de 750 milhões de dólares (636 milhões de euros), uma queda de 11% face aos 846 milhões de dólares (718 milhões de euros) do período homólogo.

O presidente do conselho de administração da Sonangol, Gaspar Martins, apresentou os resultados numa conferência de imprensa que assinala os 50 anos da empresa.

Empresa adia privatização para depois deste ano

O presidente do conselho de administração da Sonangol afirmou que a petrolífera mantém o plano de entrada em bolsa, mas não deverá avançar com a privatização antes da conclusão do Programa de Privatizações (PROPRIV), que terminará este ano.

Gaspar Martins, que falava hoje em conferência de imprensa em Luanda, garantiu que a empresa continua comprometida com a operação: “Mantemos o programa do IPO”.

“O que devemos ter presente é que, para que isto aconteça, há um conjunto de condições que devem ser materializadas”, acrescentou, admitindo que essas condições ainda não vão estão criadas neste momento, pelo que a operação vai ficar fora do programa de privatização que o Governo pretende concretizar até final deste ano (PROPRIV 2023-2026)”.

O responsável acrescentou que a Sonangol mantém a intenção de dispersar até 30% do capital, de forma faseada, mas indicou que o calendário dependerá da criação das condições necessárias.

“Quando formos à Bolsa - e dizemos que a dispersão é até 30% do capital - continuamos a pensar fazer da forma faseada, mas sem que durante este programa, que vai agora terminar em 2026, seja possível fechar todas as condições”, concluiu.

image-fallback
Sonangol anuncia emissão obrigacionista de 150 milhões de dólares

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt