Sword dispensa mais de 50 pessoas para substituir trabalho por IA
O ’unicórnio’ Sword Health - assim chamada por ter sido avaliada em mais de mil milhões de euros - avançou com processos de rescisão por mútuo acordo com dezenas de trabalhadores nos meses de setembro e outubro deste ano. A substituição do posto de trabalho por Inteligência Artificial (IA) foi a justificação dada aos trabalhadores pela tecnológica especializada em cuidados de saúde, soube o Diário de Notícias/Dinheiro Vivo. Os colaboradores foram apanhados de surpresa.
A Sword, spin-off da Universidade de Aveiro, também não renovou contratos de um ano assinados com ‘trainees’ (jovens com formação e alguma experiência na área) e, ao que o DN/DV apurou, segue uma política de grande rotatividade de estagiários não remunerados, dizem fontes da empresa. Sob pedido de anonimato, revelaram que os despedimentos abrangeram colaboradores de várias áreas da empresa, nomeadamente a tecnológica. “Foram seguramente mais de 50 pessoas despedidas nestes últimos dois meses”, afirmam. Houve ainda situações de colaboradores despromovidos, sem justificação, apontam.
Questionada sobre estes relatos, a empresa portuguesa limitou-se a afirmar que “o número de colaboradores da Sword cresceu de 1200 para 1600 nos últimos 12 meses a nível global”. Fonte oficial da Sword acrescentou ainda: “Estamos a contratar ativamente”. Esta afirmação é confirmada pelas palavras que Virgílio Bento, fundador e CEO da empresa, publicou há cinco dias na sua página do LinkedIn. “Aviso: Sobre os despedimentos no setor tecnológico em Portugal, estamos em forte processo de contratação (em Portugal e no mundo), por isso consulte as nossas vagas. Estamos a fazer coisas incríveis e importantes.”, escreveu.
A publicação não foi bem recebida pelos antigos colaboradores. A maioria dos que foram convidados a rescindir contrato aceitou assinar o documento de cessação do vínculo laboral e receber a indemnização, sem recorrer à via judicial. Os custos e a previsível demora do processo desmotivaram esta solução. Segundo afirmam, “há muita rotatividade de trabalhadores na empresa. Emprega, desemprega”.
Aos trainees, a Sword tem dado esperanças. “Dizem que querem aproveitar esse talento, formá-los”. Contudo, “despediram a maior parte e sem que nada indicasse essa decisão. O feedback que tinham era de promoção mas, sem aviso prévio, disseram que não queriam mais juniores, que iam apostar na IA, e não renovaram contratos”. As mesmas fontes dizem que os diretores de departamento estão a passar a mensagem de que a Sword quer automatizar uma série de funções com IA. No entanto, “estão a contratar para algumas dessas operações que eram executadas por colaboradores despedidos”, garantem ao DN antigos trabalhadores.
Recentemente, a publicação norte-americana Behavioral Health Business (BHB), especializada no setor da saúde, noticiou uma redução de postos de trabalho na Headspace, empresa nos EUA que foi adquirida em setembro pela Sword. A empresa portuguesa não prestou esclarecimentos à BHB, que adianta no artigo existirem várias publicações em redes sociais a revelar despedimentos em cargos de administração e gestão, e noutras funções. O DN/DV também não teve resposta da Sword sobre esta reestruturação.
Uma pesquisa na internet permite constatar um conjunto de publicações em redes sociais pouco abonatórias para a política de recursos humanos do unicórnio português fundado em 2015. “Reestruturações injustas e desnecessárias”, escreveu um técnico sénior da empresa há cerca de três meses. Na mesma altura, um programador sénior alegava “despedimentos coletivos a decorrer”. Há um mês, um colaborador avançou a existência de “vários acordos de término de contrato para evitar aumento das estatísticas nos despedimentos”.
Ainda antes do verão, outro profissional deu nota de “hiring freeze [em português, contratações congeladas] aplicado a todas as posições previamente aprovadas. Extinção de postos de trabalho em várias áreas com a justificação de tornar a empresa mais lean [magra]. Algumas pessoas em cargos de liderança a sair.”

