Luís Barbosa, líder de serviços financeiros da PwC Portugal, abordou de forma detalhada a transformação estrutural da banca durante a Money Conference, evento organizado pelo Diário de Notícias (DN) esta sexta-feira no no Hotel Farol, em Cascais.
O Financial Services Market Leader da consultora destacou a importância de compreender porque essa transformação é tão relevante. Segundo Barbosa, após a crise financeira, o foco principal da banca europeia foi garantir solidez e resiliência. No entanto, nos últimos anos, tornou-se evidente que a competitividade global da banca europeia diminuiu em comparação com os Estados Unidos e a China. "Precisamos nos reinventar para competir à escala global", afirmou.
O responsável da multinacional destacou três forças principais que impulsionam essa transformação: regulamentação, tecnologia e sustentabilidade. Em relação à regulamentação, Barbosa explicou que a União Europeia está à procura de simplificar as regras para reduzir custos e aumentar a agilidade sem comprometer a segurança. "A competitividade precisa ser vista como essencial para a resiliência a longo prazo", comentou, realçando a necessidade de mobilidade de capital entre os Estados-membros.
No que diz respeito à tecnologia, apontou que a banca se deve tornar mais ágil, utilizando inteligência artificial e dados para melhorar a tomada de decisões e a interação com os clientes. "A tecnologia é o catalisador da reinvenção do nosso setor", disse Barbosa, destacando o uso crescente de plataformas e cloud computing.
Sobre a sustentabilidade, o líder de serviços financeiros da PwC Portugal sublinha que a transformação não pode ignorar os objetivos climáticos e sociais. Luís Barbosa mencionou que a Comissão Europeia considera a competitividade como um pilar essencial para a estabilidade financeira e a proteção dos consumidores. "Estamos em um ponto crítico de transformação e precisamos que todas essas forças trabalhem em conjunto", concluiu.
Barbosa também alertou sobre os riscos geopolíticos e a cibersegurança, destacando a proliferação de fintechs e big techs como novos desafios. O responsável da PwC Portugal acredita que a banca europeia deve enfrentar esses desafios com inovação e proximidade ao cliente. "A transformação tecnológica é a base para reinventarmos nosso negócio", afirmou, reforçando a necessidade de uma evolução contínua.
A Money Conference regressa esta quinta-feira, 8 de outubro, afirmando-se como o maior encontro anual dedicado ao setor financeiro em Portugal. Organizada pelo Diário de Notícias (DN) e Dinheiro Vivo (DV), a conferência deste ano reúne supervisores, líderes da banca, seguros, fundos investimento, tecnologia e empresas num momento em que o sistema financeiro atravessa uma transformação profunda.