

O grupo belga Thomas & Piron tem em desenvolvimento três projetos imobiliários no país, num investimento global de 432 milhões de euros, revela David Carreira, diretor da empresa em Portugal. O empreendimento de maior dimensão vai nascer em Sacavém, estando neste momento em construção o Gaia Hills e o Docks Matosinhos, na Área Metropolitana do Porto.
Em Sacavém, o grupo belga tem em mãos um projeto ambicioso, que só estará totalmente concluído em 2035. O Clarissas representa um investimento superior a 300 milhões de euros e integra cerca de 700 apartamentos, entre T1 e T4, incluindo alguns penthouse e duplex, distribuídos por dez lotes e 37 edifícios. Contempla cerca de nove mil metros quadrados destinados a atividades comerciais e serviços e mais de 30 mil de espaços verdes e áreas de lazer. Segundo David Carreira, o Clarissas “procura criar um novo bairro integrado, sustentável e aberto à cidade, respondendo às necessidades de habitação e à requalificação do espaço urbano”.
O Clarissas começou a ganhar forma com a requalificação da Praça da República, em Sacavém, uma intervenção concluída no final de 2025 e desenvolvida em articulação com o município de Loures. Está agora a terminar as etapas administrativas e regulamentares. Como adianta David Carreira, o processo de Avaliação de Impacte Ambiental encontra-se na reta final. O grupo espera reunir as autorizações necessárias até ao final de março de 2027 e iniciar a comercialização no decorrer do segundo trimestre. Dada a sua dimensão, a construção do empreendimento irá decorrer por fases.
Em avançado estado de desenvolvimento está o Gaia Hills, em Vila Nova de Gaia. Este projeto, orçado em 120 milhões de euros, é composto por 210 apartamentos, distribuídos por quatro lotes, com tipologias entre T1 e T5. Também aqui o promotor belga está a construir um parque verde, com cerca de 26 mil metros quadrados, que será cedido ao município para usufruto público. A primeira fase do Gaia Hills arrancou em setembro de 2024 e este ano arrancou a segunda fase, numa resposta à procura registada, afirma o responsável.
Já os 31 apartamentos que constituem o Docks Matosinhos estão vendidos há mais de um ano, com os compradores nacionais a representarem 77% das vendas. Segundo David Carreira, a comercialização demorou apenas oito meses. O empreendimento exigiu um investimento de 12 milhões de euros e estará concluído até ao final do ano.
O grupo Thomas & Piron quer continuar a investir em Portugal. De acordo com David Carreira, a prioridade são as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, “mercados onde identificamos uma procura estrutural por habitação, sustentada pela concentração de emprego, serviços, infraestruturas e acessibilidades”. Como adianta, “procuramos localizações que beneficiem da proximidade a estes grandes polos metropolitanos e que ofereçam condições para desenvolver projetos residenciais com escala, qualidade urbana e capacidade de responder às necessidades da classe média portuguesa”.
Para além da Bélgica e Portugal, a Thomas & Piron marca presença em França, Luxemburgo, Marrocos e Suíça. No ano passado, registou um volume de negócios consolidado de 954 milhões de euros, mais 10% do que em 2024. O EBITDA ascendeu a 74 milhões de euros, um crescimento de 23% face ao exercício anterior.