Esta é uma escola onde as T-shirts se encontram com os fatos. A imagem usada por Clark Parsons aplica-se que nem uma luva à Berlin School of Creative Leadership, escola de que é director-geral e onde criativos de todo o mundo aprendem (horror dos horrores) a ser gestores.
Fundada há cinco anos por iniciativa do Art Directors Club alemão, a Berlin School partiu de uma ideia tão simples quanto revolucionária: e se os responsáveis de negócios da indústria criativa fossem eles próprios criativos? Afinal, se "a inovação e as ideias novas que empurram a indústria são de criativas", porque não dar-lhes as ferramentas para gerir as empresas em que trabalham? A ideia parece óbvia, mas basta olhar para as agências de topo nacionais para se perceber que CEO com formações em economia ou em gestão são bem mais comuns do que com cursos de publicidade.
A resposta da classe criativa foi o Executive MBA em Creative Leadership: um curso de gestão dirigido a pessoas "que nunca pensaram frequentar uma escola de gestão", diz Parsons. Treze aderiram à proposta no Outono de 2006. Nenhum era português. Gideon Amichay, na altura chief creative officer da Young & Rubicam em Israel, foi um deles. A decisão de Amichay causou estranheza - porque haveria alguém no topo da carreira de regressar aos estudos? -, mas, olhando para trás, o actual creative chairman da agência não acha que tenha sido uma perda de tempo. "Estava na altura da minha vida em que precisava de reinventar a forma como pensava, como trabalhava."
A rede de contactos que se cria também não é de se deitar fora, como realça Edson Athayde, que chegou a pensar fazer o MBA. "O próprio curso passa por ser uma oportunidade para quem quer construir uma network internacional com pessoas que podem vir a presidir uma rede de agências ou dirigir o marketing de uma marca."
Aprender a melhor liderar pessoas criativas trouxe resultados a Gideon Amichay. O profissional considera "demasiado redutor" fazer uma relação de causa-efeito entre frequentar a escola e ganhar Leões em Cannes, mas nos últimos anos as estatuetas acumulam-se na agência (17!). E não é caso único entre os antigos alunos da Berlin School. "Nove por cento dos leões ganhos na última edição do Cannes Lions foram conquistados por antigos alunos", diz Clark Parsons. A razão é simples. "Se ensinarmos os líderes a liderar, eles produzem melhor trabalho criativo. Passam a conhecer melhor os seus clientes, os seus produtos e a apresentar uma solução criativa muito melhor", defende.
Talvez por isso a escola atraía não só directores criativos mas também responsáveis de marketing, planeadores de meios, CEO e até jornalistas. Acabam todos a falar a mesma linguagem. Dos 240 profissionais que já saíram com o MBA debaixo do braço nenhum é português. As razões poderão estar no facto de o curso poder estender-se até dois anos ou no próprio custo do MBA: 48 500 euros. O valor justifica-se, diz Parson, pelo facto de "trazermos à escola professores das melhores escolas de economia de todo o mundo". O curso organiza-se em cinco módulos de duas semanas cada. Arranca em Berlin e passa pela Ásia (Tóquio, Xangai) e pelos Estados Unidos (Nova Iorque ou Los Angeles). Viagens e alojamento não estão incluídos nas propinas.
Cientes de que o valor, na actual economia, pode ser demasiado pesado no orçamento das empresas ou dos profissionais, a escola permite o pagamento faseado das propinas e, este mês, criou uma bolsa de 25 mil euros com a revista Contagious, para o MBA que arranca em Março de 2012.