Os ministros das Finanças da zona euro decidiram ontem remeter para Outubro a decisão sobre um segundo plano de resgate à Grécia e até mesmo sobre o desbloqueamento da próxima parcela de oito mil milhões de euros do primeiro empréstimo, de 110 mil milhões de euros, aprovado em Maio do ano passado.
Esperava-se que o dossier da Grécia fosse o centro das atenções desta reunião do conselho informal do Eurogrupo, em Wroclaw, na Polónia, a que pela primeira vez se juntou também o secretário do Tesouro norte-americano. Mas, ao que parece, nem a inusitada presença de Timothy Geithner foi capaz de levar os ministros das Finanças dos 17 a apressar uma decisão que dissipe os receios dos mercados quanto a um eventual incumprimento grego.
Isto quando o ministro das Finanças polaco, Jacek Rostowski, até tinha avisado antes do conselho que Geithner não terá ido lá "só para apanhar cogumelos nas bonitas florestas" da Polónia. Os Estados Unidos estão preocupados que a crise grega não fique restrita às fronteiras do euro e possa contagiar também a economia americana, mas os ministros das Finanças dos 17 não se mostraram muito pressionados. E o mais certo é que Geithner - que alertara na quarta-feira que o bloco europeu tem de agir mais rapidamente e injectar fundos para evitar uma crise grave - tenha que regressar a Washington tão ou mais preocupado do que quando de lá saiu.
Apesar de ser unânime que a Europa tem de fazer alguma coisa rapidamente para tranquilizar os mercados e evitar que a crise grega atinja toda a zona euro, o dossier sobre a Grécia continua a ser um dos que mais divergências levanta entre os responsáveis europeus.
O governo de Georges Papandreou já avisou que Atenas só tem dinheiro até Outubro, inclusive no que se refere ao pagamento de salários e pensões, mas os parceiros de moeda insistem que só prosseguirão as ajudas quando considerarem que a Grécia fez todas as reformas estruturais com que se comprometeu e querem ver todo o programa de ajustamento helénico implementado na íntegra.
Reunido em conferência telefónica, na quarta-feira à noite, com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy, Papandreou até reiterou o firme compromisso do seu governo de implementar todas as medidas de austeridade e cumprir as metas orçamentais, mas não foi suficiente. Os responsáveis dos outros países já não vão lá com sirtakis (música grega) e querem ver para crer.
Ontem, à chegada da reunião - que irá prolongar-se até amanhã à tarde, alargada a todos os ministros das Finanças dos 27 países da União Europeia -, a ministra das Finanças austríaca, Maria Fekter, não excluiu que a falência grega possa ser preferível a um resgate dispendioso.
"Se tivermos uma situação que demonstre que a solução para o país é mais dispendiosa que uma alternativa, devemos reflectir", disse Fekter, o que foi entendido pelos mercados como uma alusão a uma reestruturação da dívida grega.