As exportações de vinho cresceram 3,91% no primeiro semestre, impulsionadas por crescimentos de 183,4% nas vendas para a Rússia, de 138,7% para a Ucrânia e de mais de 43,8% para o Reino Unido. Entre janeiro e junho de 2023, Portugal vendeu ao exterior 158,3 milhões de litros de vinho, no valor total de 447,6 milhões de euros. O preço médio por litro foi de 2,83 euros, cinco cêntimos a cima do período homólogo, o que representa um crescimento de 1,65%.
França, Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e Alemanha são os cinco principais mercados de destino, com performances distintas: França e Estados Unidos estão com quebras significativas, acima dos 6% e dos 9%, respetivamente, enquanto o Reino Unido e o Brasil crescem substancialmente: 43,85% no primeiro caso, 21% no segundo. Já a Alemanha está a cair 2%.
No caso do Reino Unido, grande parte da explicação para este crescimento atípico está nas importações antecipadas de vinho do Porto feitas por muitos operadores britânico como forma de evitarem, pelo menos no imediata, a subida de 44% nos impostos sobre o álcool dos vinhos fortificados a partir de 1 de agosto.
A prová-lo está o facto de, nos dados da ViniPortugal, referentes apenas às exportações de vinhos tranquilos, o mercado britânico estar a crescer apenas 3,9%, comparativamente ao período homólogo, num total de 23,1 milhões de euros. Em volume, as exportações para este mercado caem quase 6% para pouco mais de oito milhões de litros.
No total, Portugal vendeu ao exterior, nos primeiros seis meses do ano, 132,6 milhões de litros de vinho tranquilo, no valor de 310,6 milhões de euros, correspondentes a acréscimos de 2,44% e 4,09%, respetivamente. O preço médio destes vinhos foi de 2,34 euros por litro, mais 1,6%.
Por regiões, os vinho do Tejo registaram o maior crescimento percentual, com 18,2% correspondentes a vendas totais de 6,8 milhões de euros. O vinho do Porto mantém-se como o mais exportado: vale 136,9 milhões de euros, mais 3,34% que em 2022. Segue-se o Vinho Verde, que cresceu 10,56% para 47,4 milhões e os vinhos do Alentejo, com 37,4 milhões de euros vendidos ao exterior, mais 0,17% do que o ano passado. Douro e Lisboa completam o top5, com os vinhos durienses a caírem 5,9% para 32,4 milhões de euros, e os de Lisboa a crescerem 6,4% para 29,2 milhões de euros.
Dados muito positivos e que surpreenderam o presidente da ViniPortugal. "É um bom crescimento, não estávamos à espera que fosse tão significativo, depois de meses em que as exportações estiveram a cair e quando chegamos, no acumulado até maio, praticamente em linha com o ano passado", diz Frederico Falcão, sublinhando o contributo positivo dos mercados britânico, brasileiro e angolano, que registaram os maiores crescimentos absolutos: 13,3 milhões de euros no caso do Reino Unido, 6,1 milhões para o Brasil e 4 milhões de euros a mais, que o ano passado, para Angola.
A maior preocupação, admite este responsável, é a quebra do mercado americano, para onde se venderam menos 5 milhões de euros do que no período homólogo.
Quanto à Rússia e à Ucrânia, Frederico Falcão assume surpresa com a dimensão do crescimento percentual em ambos dos mercados, mas em especial na Ucrânia. "É um país em guerra, que vive praticamente confinado, sem grande vida social, é impressionante que esteja a crescer assim, não era esperado, ao contrário da população russa que vida a sua vida normal", sublinha.