Famílias pagaram aos operadores mais 100 milhões de euros até junho

Gastos com telecomunicações subiram e receitas retalhistas da Meo, NOS, Vodafone e Nowo cresceram 5,3% na primeira metade do ano. Pacotes custam em média 38,99 euros. Preços agravaram-se em mais de 12% desde 2023.
Leonardo Negrão / Global Imagens
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As receitas retalhistas da Meo, NOS, Vodafone e Nowo, totalizaram 2040 milhões de euros entre janeiro e junho, mais 5,3% face a igual período de 2023 (1936 milhões de euros). Comparativamente com os primeiros seis meses do ano passado, os consumidores pagaram mais 100 milhões de euros por telecomunicações, em Portugal. 

A evolução das receitas retalhistas das telecom, referente ao segundo trimestre do ano, foi divulgada pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), na sexta-feira, e reflete o aumento de preços dos serviços. Desde fevereiro deste ano, as principais empresas de telecomunicações agravaram os preços até 4,3%, em linha com a média anual da inflação do ano passado. Já em 2023 tinham atualização de preços até 7,8%.

Segundo o regulador, 53,7% da faturação dos operadores tem origem nas ofertas em pacote (conjunto de serviços contratulizados num único contrato com o operador). A receita proveniente dos serviços em pacote cresceu 9,1%, para 1,096 mil milhões de euros, com a Anacom a registar “há quatro trimestres consecutivos” um crescimento homólogo desta parcela das receitas “em torno de 9%, o que não ocorria desde 2016”.

“Cerca de 86,7% das receitas retalhistas dos serviços em pacote, registadas entre janeiro e junho de 2024, resultaram do segmento residencial, totalizando 950 milhões de euros”, acrescenta o regulador das comunicações. Já 13,3% provieram do segmento não residencial (empresas e outras entidades coletivas),  somando146 milhões de euros.

Os pacotes que agregam quatro ou cinco serviços (4/5P) foram a principal fonte de receita para os operadores, tanto no segmento residencial como no segmento empresarial. Este tipo de oferta totalizou 750,3 milhões de euros (+11,6% em termos homólogos), correspondendo 68,4% do total dos proveitos com pacotes, ou 36,8% do total das receitas retalhistas dos operadores.

A faturação das telecom com pacotes que agregam três serviços (3P) cresceram 2,7%, para 298,6 milhões de euros, e as ofertas que juntam dois serviços no mesmo pacote geraram uma receita de 47,4 milhões de euros (+12,1%).

No final de junho, a receita média mensal  por subscritor de pacote ascendia a 38,99 euros (valor sem IVA), mais 6,5% em igual período do ano anterior. “No caso das ofertas 4/5P a receita média mensal foi de 47,46 euros (+5,1%) e de 30,21 euros no caso das ofertas 3P (+5,3%)”, de acordo com a análise da Anacom.

Por segmento, o valor médio mensal que cada subscritor residencial pagou aos operadores por serviços em pacote variou entre 17,38 euros nas ofertas 2P e 46,50 euros nas ofertas 4/5P, enquanto no segmento não residencial variou entre 23,95 euros e 51,78 euros, respetivamente (sem IVA incluído).

Número de assinantes cresce 2,3%. Meo e Vodafone ganham subscritores

No final de junho, registavam-se 4,704 milhões de subscritores de pacotes de serviços, mais 2,3% (ou 107 mil) do que há um ano. E, tal como os valores das receitas retalhistas demonstram, as ofertas 4/5P são as que juntam o maior número de assinantes (2, 681milhões de subscritores, mais 6,3%). As ofertas 3P atraíam 1,622 milhões de subscritores e os pacotes 2P 401 mil.

“As ofertas 3P verificaram o maior decréscimo anual desde 2015 (-3,5%)”, de acordo com o organismo que supervisiona o setor das telecomunicações.

A Meo continuava a ser o operador com maior quota de subscritores de serviços em pacote (41,7%), seguindo-se a Nos (35,0%), a Vodafone (20,6%) e a Nowo (2,6%). Comparativamente com o período homólogo, a Meo e a Vodafone aumentaram o número o número de assinantes em 0,4 pontos percentuais  e 0,1 pontos percentuais, respetivamente, enquanto a NOS e a Nowo registaram quedas de 0,4 pontos percentuais e 0,2 pontos percentuais, respetivamente.

Os operadores Meo, NOS, Vodafone e Nowo também encontram fonte de faturação noutras tipologias de serviços. As receitas retalhistas dos serviços móveis ascenderam a  682,9 milhões de euros entre janeiro e junho, valor que compara com os 660,3 milhões de euros faturados em período homólogo. Já as receitas retalhistas com serviços fixos individualizados recuaram 0,3%, para 227,8 milhões de euros, e os proveitos com “outros serviços” caíram 22,7%, para 32,7 milhões de euros.

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