A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) vai voltar a crescer a partir de 2026. A "prenda" de centenário passará pela construção de três novos edifícios dentro do recinto universitário. Acolher mais estudantes e com melhores condições é o principal objetivo da medida. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o diretor da maior faculdade da Universidade do Porto, Rui Calçada, salienta a cada vez maior preocupação com a saúde mental mas afasta que os cursos tenham sido menos procurados por causa do aumento do custo de vida.
"Sinto que há uma grande dificuldade para a FEUP crescer. Há uma procura enorme de engenheiros. Precisamos que sejam construídos três novos edifícios no campus. Estamos na fase preliminar para lançar o concurso público. Espero que a construção dos novos edifícios se inicie em 2026", anuncia Rui Calçada, a poucos dias de completar o primeiro ano como líder da FEUP.
Os novos prédios vão ocupar um total de 16 330 metros quadrados e terão nomes do alfabeto grego. O edifício Alfa será o maior, com sete andares, distribuídos por 8150 metros quadrados: irá acolher os departamentos de Engenharia e Gestão Industrial e de Engenharia Informática, além de ter espaço para auditórios e o arquivo. O edifício Beta terá seis pisos (6950 metros quadrados): lá dentro, haverá espaço para novos laboratórios e ainda novos locais para ensino. O espaço mais pequeno, Lambda, ocupará 1230 metros quadrados, com capacidade para restauração e apoio a eventos. Vão nascer ainda mais 1400 metros quadrados em espaços verdes.
Atualmente, a FEUP já conta com mais de 8000 alunos, o que supera todas as previsões feitas na mudança da faculdade do centro da rua dos Bragas para o polo da Asprela. "Em 2000, a projeção para a capacidade máxima era de 6000 estudantes", recorda Rui Calçada. "Os alunos e os investigadores precisam de espaço para poderem desenvolver os seus projetos. As dificuldades são cada vez maiores, por causa da criação de novos cursos", reconhece.
A construção dos novos espaços vai resolver os problemas mais imediatos da faculdade. No entanto, já se perspetiva a próxima fase de crescimento, que implica a construção de novos edifícios do outro lado da autoestrada A3. Há um pedido de informação prévia submetido junto da Câmara do Porto para serem edificados 6000 metros quadrados, estando em estudo um projeto que corresponde a 15 000 metros quadrados.
No novo ano letivo, a FEUP ultrapassou a fasquia dos 8000 alunos, dos quais 1168 são estrangeiros, o que corresponde a uma fatia de 14,6%. "É um aumento de 44% ao longo dos últimos cinco anos e que está a acelerar. A culpa não é só da FEUP nem do turismo: a cidade do Porto é um dos melhores destinos para o desenvolvimento de centros de engenharia e de inovação. Tudo isso acentua a atratividade da cidade, de estudantes e de famílias para trabalharem. Cada vez mais somos uma escola de inovação, de conhecimento e de investigação."
A faculdade também tem conseguido ser uma escolha cada vez mais certeira para os candidatos: "76% dos novos alunos entraram aqui na sua primeira opção; se considerarmos as duas primeiras opções, a taxa sobre para 92%. No entanto, depois de chegarem à universidade, é preciso que os alunos completem o curso.
"Estamos cientes das dificuldades que os alunos estão a sentir perante o aumento do custo de vida, com a inflação e a habitação. Em articulação com a Universidade do Porto, procuramos soluções para minimizar o impacto e estamos a monitorizar os estudantes, para perceber se algum deles está com intenção de abandonar o ciclo de estudos. Preocupa-nos que haja alunos que possam abandonar o curso por motivos económicos", admite Rui Calçada.
Se aparentemente ainda não há problemas financeiros, a saúde mental está a revelar-se um desafio maior. "As sessões de acompanhamento estão a ser procuradas por cada vez mais pessoas, nomeadamente para lidar com situações de stress. Há um agravamento dos problemas ligados à saúde mental."
Segundo o diretor da FEUP, "são ainda reflexos da pandemia e também da tensão que as famílias estão a sofrer no dia-a-dia por conta da subida do custo de vida, que junta-se à preocupação por estarem na universidade. Por exemplo, se uma família está preocupada com o pagamento do crédito da habitação, naturalmente isso reflete-se nos estudantes". A faculdade conta com uma equipa permanente de quatro psicólogos para acompanhar os estudantes. Se tal for necessário, "conseguiremos colocar mais especialistas ao serviço".
O apoio é fundamental para que os alunos possam concluir os estudos e seguirem para o mercado de trabalho. Em média, "a taxa de empregabilidade é de 95%, ficando acima dos 98%" em alguns dos casos.