O 'ABC da Literacia Financeira' no quotidiano

O dinheiro e a gestão das finanças pessoais são pilares fundamentais da vida quotidiana.
O dinheiro e a gestão das finanças pessoais são pilares fundamentais da vida quotidiana. FOTO: Amin Chaar / Global Imagens
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Este é o primeiro de vários textos e podcasts em que iremos abordar os pilares fundamentais do dinheiro e das finanças pessoais. Começamos, como é evidente, pelo básico... com o ABC da Literacia Financeira.

Não precisamos de palavras difíceis, nem de ser especialistas no mundo das aplicações financeiras, dos impostos e da legislação. Basta saber ler, ter algum sentido de oportunidade e, sobretudo, pensar antes de agir.

Como prometido, comecemos pelo princípio e que passa por saber onde ir buscar algumas informações; perceber o que é o dinheiro, os limites dos gastos pessoais; e, sobretudo, que antes do sacrifício do corte na despesa, está o saber onde melhorar o rendimento pessoal e/ou da família.

Livros, podcasts e algumas ferramentas de análise são a solução, assim como ler ou escutar recomendações, nomeadamente as que vão ser lançadas no Dinheiro Vivo (DV).

Recomendamos os portais da Associação Portuguesa de Bancos, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário e do Banco de Portugal.

Mas há mais! Há o projeto 'Finanças Para Todos', da Nova SBE, ou plataformas de partilha, como o Reddit e os seus subreddits, ou ao MoneyLab, a escola-laboratório certificada pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

Ainda haverá recomendações de plataformas populares como o 'Dr. Finanças', sem esquecer os livros de autoajuda, sendo um dos mais populares o 'Pai Rico, Pai Pobre', do Robert T. Kiyosakiu, ou ainda o 'Grow Your Money' de Bola Sokunbi, entre muitos outros. Entre nós contamos com o best-seller de Pedro Andersson, Ganhar Dinheiro.

Contudo, é imperativo conhecer alguns conceitos básicos e que, neste primeiro tema sobre Finanças Pessoais, apenas enunciaremos, já que teremos oportunidade de esmiuçar os conceitos centrais mais adiante.

Juros

Há que perceber o que é uma taxa de juro e os juros compostos, ou seja, juros sobre juros.

Há que perceber que a taxa de juro pode ser fixa ou taxa indexada, sendo que será mais caro comprar uma habitação, um carro ou um produto de grande consumo com uma taxa indexada a determinado prazo, mas, em caso de subida de juro no futuro, haverá uma espécie de proteção no sentido de que o valor a pagar mensalmente não aumenta.

É preciso perceber o que são as taxas TANB (rendimento onde falta pagar o imposto) e TANL (rendimento real de uma aplicação), ou seja, entre taxa bruta e taxa líquida.

Até onde pode afetar o agregado familiar o investimento num produto de risco em algo que era a poupança para uma situação de crise, acidente, doença ou desemprego?

Ou ainda perceber que um empréstimo é algo necessário para antecipar uma compra, mas a atitude de quem assina o contrato de empréstimo terá de ser equilibrada; ou que faz sentido contratar um empréstimo para a compra da habitação própria e permanente por um prazo longo, mas não fará tanto sentido comprar um eletrodoméstico ou uma viagem de férias com empréstimo.

A compra de um carro através do crédito deve igualmente ser ponderada e o risco pode ser mitigado com uma entrada inicial relevante.

Dentro dos conceitos básicos é relevante entender o que é juro para uma poupança e a relação com a inflação, que é a erosão do valor do dinheiro que pode ser compensado com aforro e aplicações financeiras.

Incumprimento e risco

O risco de entrar em incumprimento ou default é tanto mais relevante quanto maior o valor da dívida e o impacto que terá sobre todo o património do quem deve (mutuário) e o avalista.

incumprimento do pagamento de um crédito à habitação, incumprimento do pagamento de renda, que pode levar a uma ação de despejo, sendo que pelas regras em discussão, acontece ao fim de dois meses.

Pode haver incumprimento do crédito ao consumo e ficar sem o carro, ou sem o eletrodoméstico e o ordenado penhorado até determinado nível.

E perceber o nível de cada um para encaixar o nível de risco é crítico, tanto para solicitar um empréstimo, como para efetuar um investimento ou aplicação financeira.

Até onde pode afetar o agregado familiar o investimento num produto de risco, em algo que era a poupança para uma situação de crise, acidente, doença ou desemprego? Nenhuma destas recomendações é nova, já ouvíamos pais e avós com as conversas de sempre no sentido da poupança e de precaução sobre o futuro.

Todos nós temos um perfil de conforto que não deve ser quebrado, ou seja, arriscar o aforro ou o rendimento mensal tem limites.

O balão de oxigénio

Consoante a literatura que consultemos, vamos sendo aconselhados a ter uma reserva de dinheiro. Pode ser numa conta a prazo, numa conta à ordem, num produto financeiro do Estado – embora aqui exista um período curto de indisponibilidade do dinheiro – ou simplesmente ter em casa esse dinheiro num envelope, de preferência num cofre e não debaixo do colchão.

Os norte-americanos são radicais neste aspeto e uma família de rendimento médio baixo tem seis meses de despesas num fundo para emergências.

Na Europa há modelos de proteção social que permitem ter um pouco mais de folga, mas ter três meses de poupança disponível para o imediato é uma recomendação que os nossos país e avós aprovariam. E, se possível, manter em numerário, pois não se sabe se o sistema financeiro estará em baixo ou um corte de energia que impeça o funcionamento da caixa multibanco.

Gestão

Na gestão mensal é simples ter uma folha de Excel e aplicar o princípio dos mais velhos, ou seja, o 50/30/20, sendo que 50% é para despesas fixas como o empréstimo da casa e do carro, se houver, 30% é para as despesas correntes como água, gás, eletricidade, telecomunicações, seguros mensais e propinas, e 20% é para poupança ou para investimento, ou ainda para uma necessidade conjuntural imediata.

Quem não souber organizar uma folha de Excel, pode fazê-lo num caderno quadriculado, e apontar todas as despesas previsíveis ao longo ano e que incluem empréstimos a pagar mensalmente, mas também uma percentagem para pagar o IMI, o seguro do carro, o seguro de saúde, o condomínio, e muitas outras contas que aparecem mensal, semestral e anualmente.

Ainda dentro do conceito do 50/30/20 é relevante incluir na percentagem dos 20% de poupança, a despesa com as merecidas férias, ou esperar pelo subsídio e ajustar-se à realidade do dinheiro disponível.

Para ajudar nesta gestão poderemos ter de ir buscar o cartão de crédito, sendo que o uso deve ser rigoroso e equilibrado, ou seja, o cartão não é “dinheiro fácil”, nem um acréscimo ao rendimento, mas apenas uma opção para concentrar pagamentos no final do mês e, desta forma, não pagar juros, ou pode ser até para rendimento como cash back (devolução de uma pequena percentagem do que se consumiu). NUNCA, repito, NUNCA usar o cartão de crédito como cash advance, ou seja, para levantar dinheiro para o consumo do mês. O custo é exorbitante e pode passar a ser um problema.

Outra ajuda relevante está nos seguros. A relevância de pagamento de um prémio (fatura) do seguro apenas é percecionado quando há uma necessidade, ou porque ocorreu um acidente com o carro, ou alguém adoeceu e quiseram um atendimento de um sistema privado de saúde, mas o contrato de seguro pode cobrir todas as fatalidade e, em certos casos, serve como poupança de longo prazo, algo que veremos num dos próximos temas. É preciso saber contratar um seguro, mantê-lo ativo e usá-lo apenas em caso de necessidade.

Relevante ainda perceber de que mais do que reduzir despesas, é preciso saber onde gerar mais rendimento. Fica para outro tema de Finanças Pessoais.

*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo DN com total independência editorial. Conheça as regras do DN relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros.

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