O crescimento previsto para as maiores economias europeias (Zona Euro) foi revisto em alta face a abril, exceto no caso da maior de todas, a Alemanha, cujo Produto Interno Bruto (PIB) deve cair 0,3% este ano, projeta o Fundo Monetário Internacional (FMI), no panorama (outlook) de julho, divulgado esta terça-feira (dia 25).
Assim, a economia do euro até deve avançar 0,9% em termos reais, puxada pelo binómio "turismo e serviços" de Espanha e Itália, cujas economias podem crescer 1,1% e 2,5%, (mais 0,4 e 1 pontos percentuais, respetivamente, em 2023, face ao outlook de abril), diz a instituição dirigida por Kristalina Georgieva.
O novo estudo do Fundo mostra que esta dinâmica nos dois países do sul (Itália e Espanha) compensa o embate da crise inflacionista na Alemanha. Em abril, dizia o FMI, a economia alemã estava a caminho de uma contração ligeira de 0,1%, mas agora a recessão é mais saliente: a queda projetada é de 0,3%.
"Prevemos que o crescimento da zona euro baixe de 3,5% em 2022 para 0,9% em 2023, ainda que depois deva acelerar para 1,5% em 2024."
"A nossa previsão para a zona euro mantém-se praticamente inalterada, mas há uma alteração na composição relativamente a este ano. Com a maior força nos serviços e no turismo, o crescimento foi revisto em alta em 0,4 pontos percentuais no caso de Itália e em mais um ponto percentual no caso de Espanha", refere este novo estudo intercalar.
"Apesar dos ventos contrários, a atividade económica mundial foi resiliente no primeiro trimestre de 2023, impulsionada principalmente pelo setor dos serviços", mas "a rotação pós-pandemia do consumo para os serviços está a aproximar-se do fim nas economias avançadas, como as mais dependentes do turismo no sul da Europa [como Portugal, por exemplo]".
Em todo o caso, esta dinâmica ainda tem "acelerado em várias economias emergentes e em desenvolvimento no primeiro trimestre", diz a avaliação do FMI.
"No entanto, no caso da Alemanha, a fraqueza crescente na produção industrial do país e a contração económica no primeiro trimestre de 2023 traduzem-se numa variação do PIB que tem de ser revista em baixa em 0,2 pontos percentuais, para -0,3%", calcula o FMI.
No caso das economias avançadas, "o abrandamento previsto para 2023 continua a ser significativo: de 2,7% em 2022 para 1,5% em 2023", embora "com uma revisão em alta de 0,2 pontos percentuais em relação ao nosso outlook de abril de 2023".
93% das economias avançadas fraquejam este ano
Tudo considerado, "prevê-se que cerca de 93% das economias avançadas registem um crescimento inferior em 2023", observa o Fundo.
"Nos Estados Unidos, prevemos que o crescimento abrande de 2,1% em 2022 para 1,8% em 2023, abrandando ainda mais para 1% em 2024. Em 2023, a previsão dos EUA foi revista em alta, em 0,2 pontos percentuais, devido ao crescimento resiliente do consumo no primeiro trimestre, reflexo de um mercado de trabalho apertado que permitiu haver ganhos no rendimento real e uma recuperação na aquisição de veículos automóveis."
No entanto, diz o FMI, "não se espera que esta dinâmica no consumo seja duradoura", até porque "a Reserva Federal deve continuar a aumentar as taxas de juro".
A economia do Japão deve "crescer de 1,1% em 2022 para 1,4% em 2023". É "uma modesta revisão em alta, impulsionada pela procura que continua fraca", apesar das "políticas acomodatícias [expansionistas, como as do banco central que não tem subido taxas de juro]".
No caso da China, outro dos gigantes da economia global, "a previsão de crescimento mantém-se inalterada em 5,2% 2023 e 4,5% em 2024, mas também com uma alteração na sua composição: o consumo evoluiu, em termos gerais, em consonância com as projeções do outlook de abril, mas o investimento teve um desempenho inferior devido à atual recessão do setor imobiliário chinês".
Ainda na China, "as exportações líquidas [exportações menos importações] foram mais fortes do que o previsto e compensaram parte da fraqueza do investimento", mas o seu contributo para a expansão do PIB chinês "está a diminuir devido ao abrandamento da economia mundial", defende a instituição sediada em Washington.