Num clima de recessão que precisa de boas notícias, mas também de soluções eficazes, os Fundos Europeus de Recuperação constituem uma das poucas vias de saída da crise provocada pela pandemia. Estes fundos trazem consigo um roteiro ambicioso destinado a permitir que os países europeus possam caminhar para a sua recuperação e transformação económica, muito orientadas para duas áreas: a transição ecológica e a digitalização.
A transformação digital é um dos grandes princípios que inspiram o Plano de Recuperação para a Europa. A tecnologia está presente de forma transversal na maioria dos programas que irão canalizar os fundos de recuperação - NextGenerationEU -, e todos os projetos que sejam digitais têm maior probabilidade de conseguir os fundos, sobre a forma de empréstimos ou transferências, do que aqueles que não o são.
Neste âmbito, Portugal irá beneficiar, nos próximos 5 anos, do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que visa implementar, através de recursos de cerca de 14 mil milhões de euros de subvenções, um conjunto de reformas e de investimentos que permitirão ao país retomar o crescimento económico sustentado. Ainda, com o próximo ciclo de fundos estruturais (até 2027), através do Portugal 2030, e com um orçamento de cerca de 24 mil milhões de euros, existirá uma aposta de intervenção em áreas relevantes, de que é exemplo a Inovação como resposta a novos desafios tecnológicos e societais associados à transição digital e à indústria 4.01.
Quando falamos de empresas e da distribuição da ajuda, é lógico pensar de imediato nas mais vulneráveis. Em Portugal, as PMEs representam mais de 99% do número total e geram quase o triplo do emprego que todas as grandes empresas, e no entanto, de acordo com o relatório Global State of Small Business, Portugal é um dos países mais pessimistas da Europa em relação ao futuro do negócio pós crise pandémica, uma vez que apenas 39% dos líderes das PME nacionais estão otimistas nesta recuperação.
A situação económica exige que as empresas e os seus vários departamentos sejam ágeis e versáteis se quiserem ser competitivas e manter os fluxos de trabalho. O tempo
e os recursos, juntamente com os elevados custos de implementação, têm sido sempre um obstáculo para as empresas e, em particular, para as PME, dificultando-lhes aproveitar a tecnologia e as vantagens que esta proporciona, por exemplo, numa solução de compras.
É neste sentido que o compromisso passa muito por promover a tendência para o digital, enquanto pilar fundamental para a recuperação económica. A aposta na melhoria das competências digitais das empresas, em especial das PMEs, implica ajudá-las a ultrapassarem os défices de competência no uso de tecnologias digitais, melhorando o ambiente em que operam, eliminando obstáculos administrativos e regulamentares, e melhorando o acesso ao financiamento e a equipamentos/meios digitais4. Para além da recuperação económica, a aposta digital, pode ainda potenciar uma grande melhoria da competitividade do tecido empresarial português5.
O que "digitalizamos" primeiro?
Todo este volume de investimento deve preencher uma lacuna essencial, que é precisamente a digitalização das empresas. É evidente que, com ou sem apoios externos, embora de preferência "com", o futuro da gestão empresarial será cada vez mais digital, tanto para as grandes empresas como para as PMEs.
Embora os projetos que aspiram a obter os fundos possam ter várias características, é dado especial ênfase à capacidade de digitalizar o processo de funcionamento interno da empresa, como por exemplo o processo de utilização de dados, sistemas de nuvem, automatização de processos (tais como compras e aquisições) e a evolução das cadeias de produção tradicionais.
Há muito tempo que defendemos que as empresas mais digitalizadas têm mais probabilidades de sobreviver à crise da COVID-19. Numa época de declínio das receitas, a única forma de manter as margens é reduzir os custos. As soluções de compra ajudam a ser mais eficientes no tempo dedicado a esta função e podem gerar poupanças financeiras adicionais, desde 4% em compras diretas a 20% em compras indiretas, em comparação com o que podem gerar os processos de compra tradicionais, além de assegurar o fornecimento, a rastreabilidade e fiabilidade dos fornecedores ou o risco dos mesmos.
Muitas organizações ainda trabalham manualmente nos seus processos, por exemplo os processos de compra, o que as coloca em desvantagem competitiva. A pandemia aclamou definitivamente o digital como uma parte essencial do negócio e aqueles que não se adaptam podem ver a sua continuidade no mercado em risco.
* Country Manager da JAGGAER para Portugal e Espanha