

A subida do preço do petróleo volta a colocar os preços do gasóleo e da gasolina em alta nesta segunda-feira, 20 de julho. Ambos ficam próximos dos dois euros por litro.
Nesta segunda-feira, o litro de gasóleo passa a custar mais 111,3 cêntimos do que na semana passada. Em simultâneo, a gasolina vai subir 5,8 cêntimos. As estimativas estão de acordo com o Automóvel Club de Portugal (ACP), foram apresentadas na sexta-feira e refletem ainda a mexida no ISP, que o Governo aprovou na passada sexta-feira.
O Executivo optou por aumentar o ISP, com um reforço do desconto em 1,8 cêntimos por litro no gasóleo e 0,6 cêntimos na gasolina.
Os preços, até à passada sexta-feira, eram de 1,853 euros por litro de gasóleo simples e 1,915 euros por litro de gasolina 95 simples, de acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Devem avançar para 1,988 euros e 1,980 euros, respetivamente, a abrir a semana.
A variação que ocorre de semana a semana tem por base o preço do petróleo bruto nos mercados financeiros. Ora, o preço do Brent (referência dos mercados europeus) disparou na passada segunda-feira e acabaria por estabilizar em torno dos 85 dólares por barril ao longo da semana, gerando as previsões citadas.
Ainda assim, a fechar a sessão dos mercados de sexta-feira, os preços dos futuros de Brent superaram os 88 dólares por barril, o que leva a crer que essa evolução vai refletir-se no consumidor final
Importa recordar que os preços variam naturalmente consoante o posto de gasolina.
Em todo caso, o gasóleo volta a ficar novamente mais caro que a gasolina, depois de o mesmo cenário ter sido registado entre março e abril, fruto da falta de oferta de gasóleo, por comparação com a gasolina. De resto trata-se de uma inversão da tendência, na medida em que, historicamente, a gasolina tende a ser vendida por um preço mais alto, exceto em cenários de crise (o anterior foi em 2022, aquando da guerra entre Rússia e Ucrânia).
Na origem desta escalada de preços constante está a guerra contra o Irão, que continua a condicionar os mercados financeiros. No passado fim de semana, as tensões aumentaram entre os EUA e o Irão, nomeadamente no que diz respeito ao estreito de Ormuz.
Donald Trump anunciou, na segunda-feira passada, a aplicação de uma portagem aos navios de transporte de transporte (não apenas petroleiros) que passam por aquela zona, com a promessa de escolta das forças norte-americanas, gerando uma escalada dos preços. O presidente dos EUA acabaria por recuar na imposição, mas o conflito entre os dois países não abrandou de forma significativa e, por este motivo, as pressões sobre o preço também não aliviaram.
O petróleo é crucial para a economia global (a portuguesa não foge à regra) e, neste contexto, os preços praticados vão continuar a condicionar o crescimento. Simultaneamente, a inflação teima em não regressar para 2%, conforme o objetivo definido pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela generalidade dos bancos centrais. Também por esta razão, o BCE tem mais um incentivo para subir as taxas de juro de referência. Por esta altura, os juros de depósito estão em 2,25% e os analistas anteveem uma subida de 25 pontos base (p.b.) até dezembro.
Aliás, os dados mais recentes mostram mesmo que tem sido a energia a grande responsável por alavancar a inflação, numa altura em que as importações da Europa não conseguem abrandar - o Velho Continente continua a ser muito dependente do petróleo.
Assim, com o 'ouro negro' em forte alta, setores como a produção, a indústria e a logística ficam significativamente mais caros, arrastando com eles a maioria dos preços ao consumidor — algo que acontece desde março.
*com MVL