O grupo Vodafone tem um plano para cortar em mil milhões de euros despesas das operações em diferentes mercados, a fim de acautelar interesses da telecom face ao contexto macroeconómico atual. O Dinheiro Vivo (DV) apurou que a operação portuguesa é abrangida por esse plano, mas a Vodafone Portugal rejeita que tal passe por uma eventual redução do número de trabalhadores.
Há uma semana, aquando do anúncio das contas do primeiro semestre do ano fiscal 2022-2023 (abril a setembro), o grupo Vodafone revelou planos para reorganizar a estrutura e adotar de forma acelerada operações digitais, de forma a cortar em mil milhões de euros na despesa do grupo até 31 de março de 2026. Uma forma de "mitigar o impacto do cenário macroeconómico do aumento de preços na energia e a escalada da inflação", justificou Nick Read, presidente executivo do grupo Vodafone.
O DV questionou a Vodafone Portugal sobre as orientações do grupo, se poderão levar a uma redução de quadros e se a compra da Nowo poderá cair por terra (Autoridade da Concorrência já foi notificada)
"Na apresentação dos resultados semestrais, o grupo Vodafone anunciou uma iniciativa de eficiência no valor de mil milhões de euros, que visa agilizar e simplificar o grupo e que vai decorrer nos próximos três anos e meio. Nesta fase não há mais nada a acrescentar", respondeu fonte oficial ao DV.
Por onde poderá passar, então, o plano de redução de despesa? Por fazer diminuir a fatura da energia, por exemplo. "Somos um dos maiores consumidores de energia, as nossas redes só funcionam com consumo de energia", afirmou Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, num encontro com jornalistas a propósito dos 30 anos da Vodafone Portugal, a 24 de outubro.
O gestor afirmou que o 5G vem aumentar o consumo energético do operador, que deverá encontrar formas de atenuar o agravamento dos custos energéticos nos próximos tempos.
"Por exemplo, para o próximo ano é muito difícil, para não dizer impossível, fechar contratos de preço garantido com qualquer fornecedor de energia, ninguém quer arriscar, estamos a falar de projeções de crescimento de custos, no caso da Vodafone é mais do dobro do que aquilo que estávamos a prever nos nossos planos", disse. O CEO da Vodafone Portugal acrescentou, ainda, que a energia representava antes do 5G "cerca 6% a 7%" dos custos operacionais - agora "passa para 15%".
A Vodafone Portugal fechou o primeiro semestre fiscal terminado em setembro com receitas totais de 612 milhões de euros, mais 6,1% em termos homólogos.
Para o mesmo período, o grupo Vodafone, a casa-mãe, registou uma receita de 22,9 mil milhões de euros e um lucro de 1,2 mil milhões de euros. Registou quebras nas vendas na Alemanha, Itália e Espanha, que foram compensadas pelos ganhos no Reino Unido e pela subsidiária para o mercado africano Vodacom.