Mais de 30 mil portugueses residem atualmente em Moçambique, especialmente na capital Maputo. O país tem vindo a crescer a uma elevada taxa na última década, uma média de 7%, abrindo assim a porta para uma nova geração de portugueses altamente qualificados que rumam a África à procura das oportunidades perdidas na Europa."Em Maputo o custo de vida é elevado, mais do que em Lisboa", conta Rute Gago, de 31 anos, ao Dinheiro Vivo. "Mas depende dos produtos ou serviços que estamos a adquirir. Por exemplo, no supermercado tudo custa duas ou três vezes mais, mas relativamente ao preço da água, luz, gás, os preços são idênticos aos de Portugal", diz. Leia também: 7 boas razões para investir em África"Maputo já ultrapassou a fase de contratação elevada pois já há muita mão-de-obra qualificada por preços mais baixos, ou seja, como os salários começam a ser mais reduzidos, o custo de vida passa a ser mais elevado", explica Bruno Gabriel de 34 anos. A gestora socio-cultural Rute Gago reside em Moçambique há um ano e aconselha os interessados a irem viver para Moçambique para terem atenção à documentação. "Já não se consegue ter visto para vir para cá facilmente. É melhor vir já com trabalho para obter a documentação e para conseguir um bom salário". As áreas onde existe mais oferta de emprego é na construção, marketing, responsabilidade social, engenharias e finanças. Para o gestor de marketing Bruno Gabriel é necessário analisar atentamente as empresas a operarem no país para depois agir com determinação. "Aconselho um estudo prévio, alguma análise e apresentação ao mercado, como por exemplo, enviar um e-mail para as empresas de recursos humanos, departamentos de recursos humanos e administrativos, diretores, onde se demonstre uma vontade enorme de vir para Moçambique, pelo país e pelo seu valor, e não só apenas pela possibilidade de trabalhar ou conseguir uma remuneração elevada", considera. "Tudo depende dessa apresentação, desses contactos, dessa perseverança, dessa capacidade de inovar."Uma das maiores preocupações quando se chega a um novo país é a habitação e em Moçambique existe todo o tipo de ofertas, bastando para isso ter dinheiro. "Não é fácil encontrar uma casa em condições razoáveis. Normalmente estão em péssimo estado. As casas boas custam muito, mais ou menos entre os 1100 e 2200 euros ou até mais", sublinha Rute Gago. Bruno Gabriel conta que já passou por todas as tipologias de habitação na capital moçambicana até assentar. "Comecei por viver num T3 que custava 625 euros. Passei para uma vivenda gigante, fora da cidade, onde tinha piscina e segurança que custava 875 euros. Passei por um T2, dentro da cidade, fechado numa ruela onde fui assaltado e me levaram tudo. Hoje, vivo num T3 com vista sobre Maputo, onde pago 500 euros".Em Moçambique, a alimentação não é muito dispendiosa, mas a fatura pode aumentar de forma significativa se optar por comer em restaurantes. "Há grandes e pequenas superfícies onde podemos fazer as compras de casa, há mercados e bancas de rua onde se vendem alimentos frescos, há cafés e restaurantes onde se servem pratos exclusivos. Existem muitos produtos portugueses, existem muitos produtos sul africanos e muita coisa boa de Moçambique", diz Bruno. "Comer é barato. Comer fora pode sair caro", acrescenta."Consegue-se comprar coisas nos mercados a preços acessíveis. Também há muitos vendedores ambulantes em todas as esquinas e consegue comer-se o que é tradicional a preço muito baixo", relata Rute.Para quem estiver a pensar levar os filhos, existem diversas escolas privadas disponíveis, como a Escola Portuguesa, a Internacional, a Americana ou a Francesa, sendo que o ensino público peca pela falta de condições.A vacinação é essencial antes de partir para Moçambique, particularmente a prevenção da malária, a doença que mais afeta os moçambicanos. "Adoecer aqui é caríssimo. Os hospitais públicos não conseguem responder a todas as necessidades da população", observa Rute. "Quem pode, recorre a hospitais e clínicas privadas que são muito caras". Por seu turno, Bruno avisa que em Moçambique "é obrigatório ir ao hospital quando se sente uma pontada de febre".Os dois expatriados são unânimes em considerar que Maputo é uma cidade segura, mas recordam que o ideal é adoptar uma atitude constante de prudência. "Sinto-me segura. Mas a minha casa já foi assaltada e recentemente tive o azar de levar o carro do serviço para casa e quando, de manhã, cheguei ao carro, não tinha bateria nem faróis", afirma Rute. "É preciso seguir algumas regras e alguns procedimentos, mas no geral, sim, é seguro", observa Bruno. A gestora recorda também que o facto de ser mulher não implica cuidados redobrados em relação à sua segurança.A oferta cultural e de lazer em Maputo é também um ponto a ter em conta para os expatriados, sendo essencial para uma suave transição para um novo país. "Existe muita oferta cultural, basta procurar! Desde exposições, concertos, muito artesanato. Bares existem alguns, mas discotecas, apenas uma ou duas", diz Rute Gago. No entanto, Bruno Gabriel sublinha que existem muitas diferenças entre a oferta presente em Lisboa ou em Maputo. "Para quem se sente moçambicano, existe muita coisa interessante e alternativa, mas para quem se sente europeu, não existe quase nada", sublinha.Os dois expatriados deixam conselhos a quem esteja a pensar mudar-se para África. Se, para Rute Gago, o essencial é ir "com emprego certo e ter muita cautela", para Bruno Gabriel o ideal é estudar em profundidade o país. "Leiam a história deste país antes de se aventurarem. Quem entender a história de Moçambique, entenderá os moçambicanos e o seu sorriso de felicidade".