

O cruzamento entre tecnologia de ponta, inovação médica e bem-estar estará em grande destaque no Happiness Camp 2026, a maior conferência europeia dedicada à Sustentabilidade Humana e ao Futuro do Trabalho. O evento regressa à Alfândega do Porto no próximo dia 24 de setembro, estimando-se que reúna mais de 15 mil participantes de cerca de 80 nacionalidades, em representação de mais de mil organizações de todo o mundo. A iniciativa, que tem entrada gratuita mediante inscrição prévia (com as inscrições abertas no site oficial até que a lotação limite do espaço seja totalmente atingida), trará à cidade do Porto alguns dos maiores líderes globais da tecnologia aplicada ao bem-estar, incluindo a presença confirmada de Fay Kallel, Chief Product e Engineering officer da Headspace.
Numa altura em que uma em cada sete pessoas no mundo vive com uma perturbação mental — de acordo com estimativas recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a tecnologia começa a desenhar-se como um pilar essencial para democratizar e alargar o acesso aos cuidados de bem-estar psicológico. É neste cenário de urgência global que a Inteligência Artificial ganha um novo papel, não para substituir o olhar humano de psicólogos ou psiquiatras, mas para garantir um suporte contínuo e atempado. Ferramentas digitais e assistentes inteligentes assumem-se agora como importantes complementos ao acompanhamento clínico tradicional, oferecendo triagens rápidas e monitorização constante nos intervalos entre consultas.
A par da saúde mental, a evolução dos dados biométricos recolhidos no dia a dia promete centrar as atenções do público. O mercado de dispositivos "usáveis” vive uma expansão sem precedentes: segundo dados do relatório Worldwide Wearable Device Tracker da consultora IDC (International Data Corporation) relativos ao ano de 2025, foram enviados cerca de 611,5 milhões de wearables para todo o mundo, o equivalente a um ritmo impressionante de 1,6 milhões de novos equipamentos por dia.
No Porto, Reha Jhunjhunwala, diretora de Produtos de Saúde Digital da Whoop, irá detalhar como estes dispositivos deixaram de ser meros contadores de passos para se tornarem laboratórios portáteis de alta precisão, capazes de medir a qualidade do sono, rastrear o stress e identificar precocemente variações fisiológicas que antecipam doenças.
No entanto, esta torrente diária de métricas pessoais levanta um novo desafio para o qual a comunidade médica ainda se está a preparar. A questão central passa por perceber como os profissionais de saúde vão lidar com doentes que chegam aos consultórios munidos de milhares de indicadores biométricos gerados pelos seus relógios e anéis inteligentes. O debate no Happiness Camp irá abordar as implicações éticas e de privacidade destes dados, bem como a necessidade de ensinar a triar o ruído informativo da informação clinicamente relevante.
Para o fundador e presidente executivo do Happiness Camp, António Pedro Pinto, esta mudança estrutural prova que o futuro da saúde começa antes de a doença se manifestar, exigindo um esforço conjunto para transformar dados digitais em decisões médicas mais humanas e preventivas. Tendo por enfoque o "Futuro do Trabalho", o evento pretende ainda demonstrar que empresas com colaboradores que gerem melhor o seu stress, sono e saúde física são organizações mais sustentáveis e produtivas.