Harsco: como fazer dinheiro do "lixo" e ajudar o ambiente

As 300 mil toneladas de escórias que, até há cinco anos, eram depositadas em aterros, valem 150 mil euros no volume de negócios da Harsco Portugal.
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Até há sete anos, as toneladas de escórias que resultam da atividade das siderurgias da Maia e do Seixal tinham como destino o aterro. Agora, a Harsco Portugal, subsidiária da norte-americana com atividade em todo o Mundo, transformou esse "lixo" numa matéria-prima de valor para a construção civil.

Quando a siderurgia produz aço, há uma série de compostos que são eliminados - as chamadas escórias - e que não tinham aplicação até a Harsco chegar a Portugal. O material é recolhido dos fornos, onde a multinacional presta serviços como a limpeza, arrefecido, britado, separado por tamanhos e certificado. Está pronto o ASIC - Agregado Siderúrgico Inerte para Construção, cujas aplicações na construção permitem poupar cerca de 75% face à alternativa tradicional - a pedra.

"Estimamos que vamos poupar um milhão de euros aos contribuintes, este ano, com a aplicação do ASIC nas obras públicas", revela o diretor-geral da Harsco Portugal, Joaquim Carvalho, referindo-se apenas aos custos de construção.

Os ganhos com a durabilidade nem sequer estão incluídos naquele valor. "Na construção de estradas, o ASIC aumenta a durabilidade do piso até 15 anos, ao passo que a pedra [brita] não passa de oito anos", adianta o responsável.

O primeiro desafio da empresa, cuja atividade principal, nas siderurgias da Maia e do Seixal, é a prestação de serviços, foi apresentar o ASIC ao mercado. "Como era muito barato, foi preciso explicar o valor do material, que é comprovadamente mais resistente e durável do que a pedra, além de ser eco-sustentável", recorda Joaquim Carvalho.

No caso de obras como das novas lojas da Decathlon, da Staples, da Leroy Merlin e da McDonalds, na zona da Maia, o ASIC foi o escolhido porque "trata-se de empresas que já têm uma preocupação relativamente à sustentabilidade da construção". Mas muitas outras contam com o referido material, desde o Campus de Justiça de Valongo à Faculdade de Medicina do Porto, passando pelo Hotel Intercontinental Palácio das Cardosas ou o Porto de Leixões, entre muitas outras. É usado em campos de futebol, em blocos com betão e até no fabrico de cimento. Os clientes da Harsco são, portanto, autarquias e empresas de construção civil.

"Estamos a começar a estudar a certificação, em Portugal, da aplicação noutras áreas que já são frequentes nos EUA, por exemplo, como material fertilizante ou corretor de solos", revela Joaquim Carvalho.

Entre as siderurgias da Maia e do Seixal, a empresa produz cerca de 25 mil toneladas mensais de ASIC, o necessário para quase 42 km de auto-estrada, mas ainda aquém de uma obra grande como o aumento de área do Instituto Universitário da Maia (ISMAE), ainda a decorrer. Consumimos tudo o que produzimos e nada sobra para exportar.

"Mas também não seria viável, o custo do transporte retirava competitividade ao produto", explica o diretor-geral da Harsco. "Aliás, a poupança de 75% face ao produto tradicional só ocorre em distâncias até 50/60 km. É por isso que a maioria das obras é nas imediações da Maia ou do Seixal e é difícil vender para o Algarve, por exemplo", resume.

Com um volume de negócios anual de cerca de três milhões de euros anuais, dos quais o ASIC representa apenas 5%, a Harsco Portugal emprega 20 pessoas na Maia e outras 20 no Seixal. Segundo Joaquim Carvalho, o investimento da casa-mãe norte-americana "é contínuo e tem rondado 700 mil a um milhão de euros anuais, dada a necessidade de investimento em máquinas, laboratório próprio e certificações".

O Grupo Harsco, sedeado nos EUA, vende anualmente mais de dez milhões de toneladas de ASIC nos 35 países onde está presente e emprega 12.300 pessoas.

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