Henrique Pinho: Um arquitecto que não gostava do estaleiro

Bicicletas e atacadores personalizados estão entre os projetos a que Henrique Pinho deitou mãos. E já tem ouro na calha.
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Henrique Pinho acredita que uma vez arquiteto, nunca mais se deixa de o ser. Mas as diferentes áreas e conceitos em que teve oportunidade de trabalhar até 2012 não evitaram que por essa altura (tinha então 41 anos) sentisse o clique que lhe mostrou que “não me estava a ver a fazer aquilo eternamente”.

“Aquilo” eram várias coisas: desde que se licenciou, Henrique passou oito meses num atelier; depois avançou para uma empresa que apenas fazia projetos de lojas (de todo o tipo, desde padarias a livrarias). Conta ainda com 5 anos a trabalhar na Salsa como responsável pelo desenho e conceção de todas a lojas da marca - e voltaria a repetir este tipo de experiência, mais tarde, na Tiffosi.

“Aprendi muito, envelheci muito. Foi uma boa oportunidade uma grande escola”, recorda. Antes do clique participou ainda no projeto de ampliação do Factory, em Vila do Conde. E foi na altura em que o projeto ia avançar para a fase de obras que percebeu que estava mesmo na hora de mudar. “Não me revejo muito no ambiente de estaleiro”, reconhece. Pelo meio tinha tirado um mestrado em Marketing e Retail Management no ISCTE, ferramenta importante para avançar com a Dry Drill, a empresa que fundou em 2011 para colocar no mercado um novo conceito de bicicletas, com quadros e rodas personalizadas. Este projeto está agora em stand by, mas Henrique tem outro ativo e mais um na calha: criou uma marca da atacadores (que estão disponíveis em algumas lojas e em www.thelacescompany.com) e está a ultimar a creativeboards, uma plataforma que ajuda as PME a encontrar criativos nas áreas do design, fotografia ou vídeo.

Para fazer este reset. Henrique confessa que “preparou um bocadinho o terreno”. Como? Começou por fazer um downsizing à sua vida, recortando custos. Tem também tido a ajuda da família, porque, afirma, quando se troca um trabalho por conta de outrem por um projeto mais incerto “o chão foge-nos dos pés”. N ão há dúvidas de que “é muito mais fácil ter um valor fixo no final do mês , do que não ter. Mas isso faz parte do jogo”. Reconhece, contudo, que a questão financeira pode ser o maior entrave à mudança.

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