Indústria transformadora da China volta a contrair em dezembro

Procura global de produtos manufaturados tem sofrido com o aumento das taxas de juro pelos bancos centrais de todo o mundo para combater as taxas de inflação
Indústria transformadora da China volta a contrair em dezembro
AFP
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A atividade da indústria transformadora da China contraiu pelo terceiro mês consecutivo em dezembro, segundo dados divulgados no domingo pelo Gabinete Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês) do país asiático.

O índice de gestores de compras (PMI na sigla em inglês, o indicador de referência da indústria) situou-se nos 49 pontos em dezembro, contra 49,4 no mês anterior, algo que o NBS admitiu ser um sinal de fraca procura.

O índice caiu em oito dos últimos nove meses, sendo setembro a única exceção.

Quando se encontra acima dos 50 pontos, este indicador sugere uma expansão, enquanto abaixo dessa barreira pressupõe uma contração da atividade.

O NBS também divulgou no domingo o PMI para os setores de serviços e construção, que subiu em dezembro para 50,4 pontos, mais 0,2 pontos do que em novembro.

Apesar da crise no setor imobiliário, a atividade na construção disparou de 55 pontos em novembro para 56,9 pontos.

Já o setor dos serviços permaneceu inalterado em 49,3 pontos, após registar em novembro a primeira contração desde dezembro de 2022, quando o país desmantelou a política de 'zero casos' de covid-19, resultando numa onda de infeções que se espalhou pela China em poucas semanas.

Também no domingo, num discurso de fim de ano transmitido na televisão, o Presidente chinês, Xi Jinping, enfatizou a necessidade de "manter a prosperidade e a estabilidade a longo prazo".

Xi garantiu que "a economia chinesa continuou a recuperar e a melhorar" em 2023 e apontou um "transbordante dinamismo de desenvolvimento" no país, dando como exemplos a força das vendas de telemóveis fabricados internamente e o progresso da segunda maior economia do mundo na fabricação de veículos elétricos.

O líder chinês lembrou que o próximo ano vai marcar o 75.º aniversário da fundação da República Popular da China e apelou ao "aprofundamento da reforma e abertura em todos os aspetos", ao aumento da "confiança no desenvolvimento" e ao reforço da "vitalidade económica" no próximo ano.

A economia da China cresceu a um ritmo de 5,2% nos primeiros três trimestres de 2022 e tinha mostrado sinais de melhoria em novembro, com a produção das fábricas e as vendas a retalho a aumentarem.

Nos últimos meses, o governo aumentou as despesas com a construção de portos e outras infraestruturas, reduziu as taxas de juro e diminuiu as restrições à compra de habitação, para tentar estimular a procura interna que, segundo os economistas, é necessária para sustentar o crescimento.

A procura global de produtos manufaturados tem sofrido com o aumento das taxas de juro pelos bancos centrais de todo o mundo para combater as taxas de inflação, que há décadas são elevadas.

Este facto tem ramificações em toda a região, uma vez que as cadeias de abastecimento ligadas à China estão dispersas por muitos países asiáticos.

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