"A empresa fazia, a partir de Coimbra, a modulação 3D para autarquias, empresas de turismo, algumas vendas bastante interessantes mas os fundadores queriam dedicar-se à parte técnica e não à parte comercial. (...) Íamos para fazer crescer mas chegámos e não fizemos nada. Se o mercado não está a precisar dos nossos produtos, pensámos em parar. (...) A Google dizia: 'é uma pena estarem em Portugal.'", recorda.
Confrontado com a crise e com a falta de clientes, Pedro Moura e a equipa já estavam preparados para as despedidas quando, numa reunião, decidiram tentar outra vez.
"Estávamos numa reunião, nas despedidas quando surgiu a ideia do YoubeQ. Tínhamos um conhecimento aprofundado sobre as plataformas da Google e pensámos em criar uma representação nossa, um avatar, colocá-lo no Google Earth, e permitir-lhe entrar nas cidades e visitá-las, a três dimensões. Um conceito que permitisse visitar Tóquio a partir de Coimbra, permitindo viajar com outras pessoas - de forma virtual - por todo o mundo e conversar com elas.", explicou Pedro Moura, fundador da Maps with Life, na 3ª conferência do Ciclo de Conferências Portugal 2020, organizado pelo Dinheiro Vivo em parceria com a PwC, a EDP e a PT, esta manhã em Coimbra.
A tecnologia permitiria, depois, conhecer cidades longínquas a custo zero, usando o Google Earth. A ideia avançou e levou à criação da primeira rede social do mundo a correr sobre o Google Earth. "Gastando zero euros tínhamos 120 mil utilizadores registados. Mas era sempre a queimar dinheiro: houve sócios que tiveram que vender alguma coisa, eu vendi o meu carro", recorda Pedro.
Face ao estrangulamento do mercado do YoubeQ e sob a pressão dos investidores, a solução passava por convencer um chairman com experiência a trazer uma visão estratégica e contactos mundiais para captar investimento e fazer crescer a empresa e torná-la mais competitiva dentro do seu mercado.
"Conhecemos o Phillip, envolvido em várias empresas de sucesso - nomeadamente a Nokia - e convidámo-lo a integrar a equipa. Se esse chairman entrasse, os investidores prometiam investimento, sobretudo porque ele poderia casar com a nossa tecnologia com uma ideia de um negócio que já tinha mas à qual faltava tecnologia.", sublinha Pedro.
Seguiu-se uma ronda de financiamento da Portugal Ventures e da PMV Capital que permitiu à empresa validar o conceito em Silicon Valley e que, além de aumentar as possibilidades ao nível do investimento, fez a empresa crescer em visão. "Já nos é permitido sonhar porque temos dinheiro. Temos hoje condições para podermos fazer crescer a empresa."
A próxima conquista está a pouco tempo de se mudar para Portugal: na lista de contratações está o CTO da Nokia, que "quer entrar ontem" para a Maps with Life e ajudar a empresa a conquistar novos investidores no mercado norte-americano, a sua próxima paragem.