Investimento mundial em renováveis tem de triplicar para garantir emissões zero até 2050

Estudo da Capgemini, desenvolvido em parceria com a Vaasa ETT e a Enerdata, concluiu a trajetória climática do mundo não está no rumo certo e o ajuste deverá passar por mais investimento em energias renováveis.
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A capacidade das energias renováveis em todo o mundo tem de triplicar para garantir que em 2050 se verifiquem zero emissões líquidas de dióxido de carbono, aponta do relatório da edição de 2023 do World Energy Markets Observatory, divulgado esta segunda-feira pela Capgemini em parceria com a Vaasa ETT e a Enerdata.

A grande conclusão do estudo é que a trajetória climática do mundo não está no rumo certo e o ajuste deverá passar por mais investimento em energias renováveis.

"Ainda que os 1 300 mil milhões de dólares [cerca de 1 190 mil milhões de euros] de investimentos realizados em transição energética em 2022 sejam um recorde", o que já superou o investimento em cobustíveis fósseis, o relatório indica que "para cumprir as metas das zero emissões líquidas até 2050 é preciso que este montante aumente para 5 000 mil milhões de dólares [cerca de 4 570 mil milhões de euros] por ano.

No último ano, "a componente das energias renováveis atingiu valores inéditos, com um aumento anual de 340 GW [gigawatt]", prossegue o relatório, com os autores a anteciparem que 2023 tenha sido "outro ano de grandes incrementos nesta área". "No entanto, este crescimento está muito aquém do que é necessário para se poder atingir o objetivo das emissões líquidas zero de carbono até 2050", lê-se.

"A capacidade das energias renováveis global deverá aumentar 2400 GW entre 2022 e 2027 (o que representa um crescimento médio anual de 480 GW). A energia solar fotovoltaica bateu novos recordes em 2022 e tudo indica que o mesmo deverá suceder em 2023. Já no que diz respeito à energia eólica, registou-se um decréscimo de 19% a nível mundial e por comparação com os valores do ano anterior, em virtude das dificuldades de produção de energia eólica offshore na Europa e nos EUA", lê-se.

A par do reforço das apostas em energias renováveis, "o consumo de eletricidade [com origem em fontes renováveis] terá de quadruplicar até 2050 para serem atingidos os objetivos da descarbonização", sendo que "mais de 75% do consumo será assegurado por energia eólica e solar".

"O atual ritmo de crescimento é muito inferior ao que seria necessário, e terá de triplicar para se cumprirem as metas fixadas para 2050. O crescimento da eletrificação deverá ser acompanhado pela necessidade de expansão das redes elétricas. Estas terão de passar de 75 milhões de quilómetros para 200 milhões de quilómetros e tornar-se mais inteligentes através de uma maior capacidade de armazenamento estacionário, de sensores e da análise inteligente de grandes volumes de dados", lê-se.

Para complementar o percurso rumo à descarbonização até 2050, os autores do relatório defendem o "renascimento do nuclear". Ou seja, as metas de descarbonização não serão atingidas sem o recurso à energia nuclear e, por isso, "é imperativo que haja um foco no alargamento da sua capacidade".

"A capacidade de produção de energia nuclear terá de triplicar até 2050 para se alcançar o objetivo das zero emissões de carbono, passando-se dos atuais 390 GW para 870 GW até 2050. Para tal será necessário, além de desenvolver grandes e pequenos reatores modulares, assumir o compromisso de se prolongar com segurança a vida útil dos atuais reatores", lê-se.

Para reforçar o investimento mundial nas renováveis, o relatório do World Energy Markets Observatory recomenda que sejam criados mecanismos de "proteção contra futuros impactos no abastecimento causados pela instabilidade política e garantia da soberania energética", a par de uma mudança de perceção das populações "para acompanhar as reformas governamentais". Adaptar as infraestruturas energéticas para combater os efeitos combinados do aquecimento global e dos fenómenos meteorológicos extremos é outra recomendação.

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