O almirante Gouveia e Melo diz que está 110% compenetrado com a Marinha e que não será candidato à Presidência da República. Parece que o chefe do Estado-Maior da Armada não quer ouvir falar mais de uma eventual candidatura a Presidente da República porque agora quer é submarinos. Dois. Logo dois! E quando um "eventual político" fala de submarinos, até parece que não quer mesmo ser candidato a coisa nenhuma; uma vez que, os submarinos ao longo dos últimos anos parecem ter levado ao fundo um dos nossos melhores e mais bem preparados candidatos presidenciais.
Será sarcasmo? Não, Gouveia e Melo parece mesmo achar que a Defesa do Estado é tão importante como o Estado Social, e brinda-nos até com a frase "não há manteiga sem canhões" quando questionado sobre a dicotomia que opõe os investimentos na Defesa ao Estado Social.
Uma eventual presidência deste senhor promete... Brinda-nos com frases destas, mas a realidade é que sabemos muito pouco sobre o seu pensamento? O seu posicionamento político? As suas ambições para o país para além de defesa e mão de ferro? Como resolverá os problemas que se lhe atravessarem pela frente? Do que já se viu, espero um dia não ter que ir carpir mágoas para o Mondego!
Ao que parece, Gouveia e Melo afasta a corrida a Belém dizendo estar «concentrado no meu objectivo militar que é conseguir transformar a Marinha num verdadeiro instrumento útil, significativo, abrangente e tecnologicamente avançado ao serviço do Estado português. Esse trabalho é gigantesco. Ocupa 110% do meu cérebro. E, portanto, eu não ando preocupado com outras coisas", disse.
E o que quer dizer "outras coisas"? A Presidência da República ou pintar a sala lá de casa? A bateria do carro? Fazer 10 quilómetros de bicicleta no sábado de manhã? Ou dar uma longa entrevista a dar nas vistas e a mostrar o que fez nos últimos dois anos frente à Armada?
Desculpe amigo leitor, mas se se deu à maçada de estar no final deste texto podemos tratar-nos por "amigo", vou fazer-lhe uma pergunta:
Lembra-se de algum almirante a falar na televisão? A dar entrevistas? A mostrar-se um homem de acção? A querer falar olhos nos olhos com os portugueses? A minha cabeça de abóbora só se lembra de um, chamava-se Américo Thomaz e... foi um Presidente da República de muito má memória!"
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)
("Até às eleições" é o mote para uma sequência de artigos de opinião, de segunda a sexta-feira, de Duarte Mexia (duarte.mexia@gmail.com), que serão publicados, precisamente, até à realização das próximas eleições Legislativas, marcadas para 10 de março.)