O empresário Joe Berardo afirmou hoje que "se fosse na América" o processo sobre as alegadas irregularidades no BCP "já tinha acabado", considerando que esta situação poderá contribuir para o "descalabro" do sistema financeiro português."Se fosse na América, isto já tinha acabado", disse o empresário após ter sido ouvido, como testemunha, no julgamento do recurso seis antigos administradores e um director do BCP, incluindo Jardim Gonçalves, condenados a pagar pelo Banco de Portugal coimas entre 230 mil euros e 1 milhão de euros e inibições de actividade entre três e nove anos."Esta situação pode influenciar o descalabro do sistema financeiro português", afirmou ainda Joe Berardo, para quem "não há respeito pelos acionistas". A 01 de Setembro, o juiz António da Hora suspendeu o julgamento do caso BCP por suspeita de que os documentos em que se basearam as denúncias apresentadas por Joe Berardo e que estiveram na origem do processo, podem ter violado o segredo bancário. Questionado sobre as fontes desses documentos, o comendador garantiu que estes chegaram aos seus escritórios sem remetente. "De onde é que vêm não sei", disse Berardo, que entregou no final de 2007 as denúncias à Procuradora Geral da República e ao Banco de Portugal. "Depois da célebre assembleia-geral, comecei a receber documentos anónimos nos meus escritórios", afirmou, garantindo que nenhuns eram acompanhadas dos nomes de quem os enviava. "As denúncias vinham dentro de diversos envelopes. Só os documentos. Eu gostava de ter os nomes das pessoas, mas não tinha", acrescentou.Apesar de a maior parte dos envelopes terem sido entregues em mãos nas receções dos seus escritórios, Berardo disse que nunca deu ordem para pedirem a identificação das pessoas que os entregavam. Berardo contou ainda que, antes de entregar os documentos à PGR e ao BdP, pediu uma reunião ao então Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, encontro que não chegou a realizar-se."Eu estava tão preocupado, estas coisas eram tão graves, que pedi uma reunião a nível individual. Cheguei lá e estavam várias pessoas à minha espera, vim embora", contou, justificando a atitude por se ter sentido "intimidado" quando estava ali como "cidadão".Num testemunho em que a resposta a várias questões foi "não me lembro" com o juiz António da Hora a dizer que estava "sob juramento", Berardo afirmou que se sentiu como acusado em vez de testemunha."Até parece que sou aqui [o acusado]. Se quiserem prender que prendam, é a única maneira de descansar", disse Berardo, dirigindo-se ao magistrado. "Ninguém o está a acusar ninguém de nada, estamos a tentar apurar a verdade", respondeu António da Hora.Após este testemunho, o magistrado decidiu que os advogados dos ex-gestores do BCP, o Ministério Público e o Banco de Portugal têm até 3 de outubro para pedir a nulidade, ou não, das provas que estão na origem do processo.(Notícia actualizada às 14:40)