Juros da dívida dos EUA em máximos de quase 20 anos

Japão e Alemanha também veem os juros das Obrigações a subir, com os receios sobre a inflação a ser impactados pela escalada do preço do petróleo.
Juros da dívida dos EUA em máximos de quase 20 anos
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Esta semana é de decisões: os bancos centrais dos EUA e do Japão vão tomar uma posição relativamente às taxas de juro e, na antecipação, os investidores já mostraram que não estão particularmente calmos. A escalada do preço do petróleo, provocada pelo agravar do conflito na Arábia Saudita – se não for reparado rapidamente o oleoduto que foi atingido no domingo, estamos a falar de uma quebra global na oferta que pode chegar aos 4% - está a pesar no sentimento dos investidores.

 As yield norte-americanas – a yield da dívida pública, ou o prémio que é pago ao investidor –, funcionam como indicador da confiança que os mercados têm na capacidade de o Estado pagar as suas dívidas. Mais risco resulta habitualmente em yield mais altas para compensar o perigo – ultrapassaram esta terça-feira os 5%, e bateram máximos de junho de 2007, quando chegaram aos 5,03%. No mesmo sentido, o juro sobre as bunds alemãs tocou os 3,557% enquanto a yield das obrigações a dez anos do Japão chegou aos 3,025% esta terça-feira: foi o valor mais elevado desde setembro de 1996.

Recorde-se que sempre que as yield sobre Obrigações americanas ou alemãs aumentam, há uma espécie de efeito dominó no resto do mundo, uma vez que elas influenciam não apenas o preço das hipotecas, mas também das obrigações em mercados emergentes ou da dívida das empresas.

"É provável que os mercados continuem focados no risco de que os preços mais elevados do petróleo bruto possam agravar as pressões inflacionistas e, por sua vez, pressionar em alta as taxas de juro", disse o analista Yokoo Akihiko, do Banco Mitsubishi UFJ, numa nota aos investidores e citada pela Reuters.

Esta terça-feira tem início uma reunião de dois dias da Reserva Federal norte-americana (FED), com os mercados a preverem, com uma probabilidade de 90%, um aumento das taxas de juro: seria o primeiro da instituição desde 2023.

Juros da dívida dos EUA em máximos de quase 20 anos
Abastecimento global de petróleo pode cair até 4%

"Embora a inflação continue a desacelerar, as recentes surpresas em alta significam que o ritmo da desinflação tem sido mais lento e menos convincente" do que a Fed exige, consideram os analistas do Morgan Stanley, que prevêm um agravamento de 25 pontos-base na taxa de juro já esta quarta-feira, e novo aumento no final do ano.

Acresce ainda a emissão de dívida significativa que tem sido feita no últimos tempos, tanto por parte do Estado americano como das empresas, sobretudo as tecnológicas que pretendem financiar investimentos em IA – também ela sob forte escrutínio nos últimos dias – e centros de dados.

Recorde-se que, desde o final de semana, as tensões se têm agravado no Médio Oriente, com os houthis do Iémen a lançar uma nova vaga de ataques direcionada à Arábia Saudita. Isto porque Riade os culpou pelo ataque com drones que foi feito a um importante oleoduto, no domingo, que está a por em causa as reservas do reino – e, consequentemente, a oferta disponível globalmente. Este oleoduto tem sido o garante de alguma tranquilidade para a Arábia Saudita durante a incerteza sobre o Estreito de Ormuz, cuja abertura tem dependido, desde o início do ano, dos estados de alma dos governantes americano e iraniano.

Os Estados árabes do Golfo adiaram, entretanto, as conversações previstas com o Irão, o que renovou as preocupações sobre a oferta mundial de petróleo. O barril de ‘ouro negro’ vai continuando a subir, tendo-se mantido a negociar acima dos 107 dólares.

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